As aventuras de dois gatinhos vira-latas Brasileiros em terras Canadenses

Tuesday, July 7, 2015

Canadando

Vocês sabem que ainda amo vocês né? Só não "apareço" mais por falta de tempo mesmo...

Mas hoje só trabalhei de manhã, e agora, depois de chegar em casa, improvisar um almocinho rápido, enfrentar bravamente uma pilha vergonhosamente grande de louça acumulada (fica mais vergonhoso se você levar em conta que só temos 4 de cada coisa - 4 pratos, 4 copos, 4 bowls, 4 garfos, etc etc... e ainda assim tem louça suja pelos 4 cantos da casa!) e despachar mais algumas tarefas domésticas pendentes, acho que mereci a oportunidade de vir aqui dar 3 dedos de prosa procês!

Então... Que que tem rolado por aqui? Teve Canada Day, 1st of July! Foi comemorado como deve ser: Com programa de índio (ou no caso aqui seria programa de First Nations, huahuahua) pra nunca mais voltar! Mas, ok, ainda somos turistas, ainda temos que marcar presença em todas as furadas antes de podermos esnobar as turistagens... Nós tivemos que trabalhar nesse dia (pra variar, hehe) mas não queríamos deixar passar em branco (e vermelho) nosso primeiro Canada Day canadense, então inventamos de arrumar algum programa pra depois do trabalho. O sogrinho compartilhou uma lista infinita de bacanosidades que estariam acontecendo pela cidade inteira nesse dia, e scrollamos (por 17 horas) até achar alguma coisa que funcionasse no nosso schedule de trabalhadores-imigrantes-enlouquecidos. A maioria das atrações acabava cedo ou era longe do nosso trabalho, então, menos por opção do que por falta de, decidimos ir para o Canada Place (afinal, nada mais apropriado do que celebrar o Canada Day no Canada Place) ver os fogos de artifício que (sic) encheriam o céu no aniversário do país. Meu trabalho acabou às 4, mas o Chuchu ainda iria continuar até as 7 na labuta, então fui pegar uma prainha exxxperta (de novo no lindo lindo lindo Stanley Park) enquanto esperava ele sair, e depois disso nós dois ainda teríamos que matar umas quantas horas até o insistente sol de verão dar lugar para os fogos... Aí, eu morta de fome pela praia, ele pelo trabalho, fomos "Canadar" mais ainda e finalmente experimentar a hamburgueria mais recomendada pelos locais: o White Spot! Comemos até rolar (e assinamos em baixo de todas as recomendações que recebemos) empurrando tudo pra baixo com jarras e mais jarras de iced tea (Oi? Alguém falou diurético? :/ ) e aí fomos andando para o Canada Place, passando, no caminho, por um desfile (parade) meio aleatório mas ok, hehehe. Chegando lá, ainda faltando 1 hora e meia pro espetáculo, já encontramos um rebanho infinito de pessoas, pessoas, pessoas por todos os lados. E mais um pouco de pessoas. Não dava pra andar, não dava pra respirar, não dava pra fazer nada. E o iced tea? Explodindo minha bexiga! Achamos um guardinha, mais zuretado que bispo em baile funk, e perguntamos onde teria um banheiro público... Não teria. Simples assim. Pode isso, Bial? Planejam os fogos de artifício, planejam os horários dos transportes, planejam bandeirinhas e hino e a porra toda, mas nenhum infeliz se lembrou de que as pessoas eventualmente precisariam tirar água do joelho? Nem pra colocar aquelas cabines horrendas de plástico e química? Come on, Vancouver, you can do better.... Mas tudo bem, né, porque tem uma praça de alimentação no metro alí em frente, né? Nooops! Fechada! Aparentemente ninguém queria faturar uns trocados abrindo as portas para as 172839193743621 pessoas que vieram prestigiar essa palhaçada. A solução? Um Tim Hortons, o único comércio aberto nas redondezas, que caridosamente disponibilizou seus 2 míseros (mas incrivelmente limpos) banheiros para a fila de 3 quilometros de pessoas apertadas. E foi assim que gastamos a hora e meia até os fogos de artifício, saltitando na fila do banheiro do Tim Hortons... E tudo isso pra quê? Pra uns foguinhos mequetrefes, disparados lá de antes do Judas ter sequer comprado as botas, do outro lado da bahia, e tão baixinhos e pessoas como eu, menos avantajadas em centímetros, só conseguiam ver as pontinhas dos fogos surgindo no horizinte de cabeças. Pra quem já foi a um Reveillon em Copacabana, em que o céu inteiro explode de cor, e você olha pra cima (e não pra frente!) e fica embasbacado, o daqui... Meh... Hardly impressive, I must say (Em tempo: Não que o Ano Novo em Copa seja menos farofado ou muvucado, muito pelo contrário, ainda conta com bêbados dando vexame, assaltos e arrastões - e no desse ano, acredito que introduzirão a novidade do momento, as facadas aleatórias - lixo pelo chão e muito, muuuuito suor.... Mas quanto à beleza e wow-factor, Copacabana 1 x 0 Vancouver). Depois dessa roubada, e sem querer repetir o episódio Tim Hortons na hora de pegar o metrô, saímos na metade da foguetice, e fomos é dormir, que é o que se faz de melhor, hehehe. Pelo menos a praia valeu à pena! ;P

Mas nem tudo são eventos frustrados: Também teve muita coisa boa acontecendo por aqui! Este fim de semana fomos visitar (e finalmente conhecer em pessoa) a Tia Sophie (que não é tia, na verdade, mas prima "adistantada" por parte do meu avô, e filha da melhor amiga da minha avó, mas que eu resolvi chamar de tia pra simplificar a vida de todos e para o bem geral da nação). Ela mora em Victoria, que fica em Vancouver Island (onde, oddly enough, não fica Vancouver - Just google it!) e o caminho até lá já foi em si uma bela (literalmente, muito bela) aventura: 1h10 de ônibus e metrô até chegar ao terminal de barcas de Tsawwassen (quem conseguir pronunciar certo ganha um doce) e de lá mais 1h30 de barca. Ou deveria dizer, de cruzeiro? Porque, maaaano, sério! Que que era aquela barca. Meus caros usuários das Barcas SA, redefinam seus conceitos: Por acaso o formato da barca, por fora, é igualzinho ao das Rio-Niterói, mas quando a gente vai chegando perto percebe que ou a gente foi encolhendo no caminho, ou a barca é absurdamente gigante. Quer ter uma leve idéia de quão grande? Pense 7 andares de barca. Pense vários restaurantes, cafés, lanchonetes, buffets, praça de alimentação. Pense em lojas de roupa e de souvenirs. Pense em áreas para trabalho, com mesas para computador com tomadas e tudo o mais. Pense em áreas para crianças, com parquinhos, escorrega, flipper (Sim, tem um fucking flipper dentro da barca). Entendeu agora né? Cooooolll! Ah, e a vista também era linda, hehehe.

Mas tá, me empolguei com a barca, voltando à visita à tia Sophie: Ela é ótima!!! (sim, melhor que a barca, huahuahua) Mas falando sério, ela é muuuuuito fofa, muuuuito legal mesmo! Ela e a família inteira, na verdade! E vocês não podem imaginar como ficamos quentinhos por dentro de encontrar aqui, "do outro lado do mundo", no lugar onde viemos desbravar sozinhos e des-familiados, uma família tão linda!!! Fomos recebidos na saída do "Titanic", já com um abraço apertado e muita conversa, fizemos um mini-tour até a casa dela, onde nos esperava um gostinho Português, com mesa cheia, de família, de conversa e de, claro, bacalhau e vinho! Passamos uma evening mais que agradável, e fechamos a noite assistindo as animações da "prima" artista Iris (vale a pena dar uma procurada no Google ou YouTube por Iris Moore e ver a beleza que é a cabeça fértil de uma artista traduzida em desenhos, cadências e música. Sim, tudo obra de um único ser... Single handed... Impressionante). Aliás, ela vai estar exibindo essas animações no Festival do Rio deste ano! Eu só tive a sorte de ter uma premiere com a diretora/executora/produtora/nãoseicomosechamaquemfaztudonumfilme... Bom, no dia seguinte tivemos um brunch especial: chá e panquecas (viu, mãe, tô em casa praticamente! Chá com panquecas = <3). Mas mãe, tenho que confessar... Sinto muito... Mas essas foram as melhores panquecas que já comi na vida (Sem brincadeira, Tiago concordou! Peguei a receita, Tia Marcia!) Que IHOP que nada!!! As panquecas do Michael - marido da tia Sophie - são a perfeição em forma de comida. Já coloquei fermento na lista de compras e em breve tentarei reproduzir o sucesso aqui em casa (aguardem fotos ou de desastres na cozinha, ou de um café da manhã pra deixar vocês todos com inveja). No café da manhã também conhecemos os outros dois "primos" e lá ficamos nós mais horas e horas na mesa, repetindo o chá e conversando muito (o "tio" Michael, além de panquequeiro-mágico, é uma das pessoas mais interessantes com quem conversei ultimamente, com mais histórias pra contar do que cabe num café da manhã - mesmo dos mais longos, hehehe - me lembrou do vovô e dos domingos também sempre em volta da mesa, nas conversas e café-de-alquimista).

E como se já não estivesse mais que bom (e já estava), ainda ganhamos um passeio incrível com a incansável tia Sophie (que na verdade deve ter se cansado mesmo, mas foi uma fofa e andou conosco pela cidade inteira mostrando os principais pontos turísticos). Fomos na mais antiga chinatown do Canadá, e nos embrenhamos nuns becos muito (MUITO) estreitos com cheiros e cores engraçados (#harrypotterfeelings) e num desses becos descobrimos um Flea Market onde um grupo de cordas tocava musica clássica ao vivo, vestidos de roupas barrocas. Tem como ser mais mágico?! Só se tivessem dragões cuspindo algodão-doce em cima da gente... Num ato heróico resisti bravamente a comprar todos os irresistíveis cacarecos inúteis que se vende nesses lugares (fora um ou outro, mas eram tããããão baratos!!! D:) e continuamos o passeio. Museu (só por fora dessa vez, a visita foi muito curta... quem sabe na próxima), hotel, canal, parlamento, tudo muito lindo! Também passeamos pelo centro, ruas com cara de europa, lojinhas, prédios... Lindo, lindo. Espero voltar mais vezes...

Depois, mais um almoço/jantar em família, mas dessa vez sem tempo de prolongar as conversas ad infinitum... Uma pena. Nosso cruzeiro 5 estrelas nos esperava pra voltar pra vida real depois da curta mas muito bem aproveitada escapulida.

E agora já gastei toda a minha tarde de folga (e possivelmente toda a paciência de vocês, hehehe) então me despeço por aqui. Tentarei voltar em breve (mas falharei miseravelmente, como sempre, hahaha, então até daqui a duas semanas, marromenos...) Deixo aqui umas fotos pra vocês sentirem o clima do nosso fim de semana mágico. Beijos!!!









Monday, June 22, 2015

E se anuncia a rotina

Hey meus fofos! Tudo bom?

Por aqui está tudo tranquilo... Um presságio de rotina se anunciando no horizonte, que até será bem vinda depois de tantas mudanças (literais e figuradas). Acabou mesmo a saga da panqueca-coreana-do-inferno e a vida agora segue bem mais livre, leve e solta (de verdade... por mais exercícios zen que eu praticasse no IHOP, ainda assim era um desgaste constante e diário, então só de ter deixado isso pra trás já tirou uns bons quilos das minhas costas - ou pounds, né, que aqui tem essa palhaçada também, hahaha). O Charlie's (câmbio) está bem animado com meu desempenho, tanto até que estão me pedindo pra trabalhar em todos os horários que eu tiver livres: Ou seja, ainda estou no modo SUPER-ULTRA-MASTER-FULL-TIME, hahaha! Mas como eu falei, só de não ter a pressão dos gritos-coreanos contínuos, está tão mais tranquilo que nem sinto essas horas todas trabalhadas (quanto tempo demora pra passar 20 minutos? Se você tomar 5 esporros nesse intervalo, believe me, vai demorar várias horas, hahaha). Então continuo trabalhando mais de 50 horas toda a semana mas estou achando bem tranquilo até (afinal, no fim de cada dia, por mais longo que seja, sempre tem um cup'a'tea, dois gatinhos cremosos e um chuchu me esperando - não necessariamente em ordem de prioridade... mas quase, hahaha). Acabo não tendo um fim de semana livre, e em alguns casos, como nesta semana, nenhum dia off at all, mas tenho alguns dias bem light - como hoje - em que só trabalho 5 ou 6 horas (em outros dias chego a trabalhar 10 ou 11 horas, haha). Mas estou gostando muito do trabalho no Charlie, o ambiente lá é ótimo, bem família mesmo, eles super acolheram a gente, são muito fofos, e o trabalho em si é bem legal até (poder ver dinheiros do mundo inteiro, e ainda brincar com aquela maquininha boladona que conta as notas pra você! Só diversão, hahaha), e a Sears é ok também, gosto da gerente e dos co-workers e o trabalho é bem basal, no big deal, então também nem sinto o tempo passar (muitas vezes eles tem que vir me avisar que já tá na hora do meu break, ou que já acabou meu shift, hehe). E além disso tem uma bela vantagem em trabalhar tantas horas: Meus paychecks estão vindo mais gordinhos - YAYYY- então já estamos na fase de colocar dinheiro de volta na poupança (que tinha ficado perigosamente magra por motivos de planejamento otimista + azares inesperados e gastos inesperados + somos mimados e não quisemos seguir um orçamento tão espartano quanto eu tinha idealizado, huahuahua).

E fora isso o que tem de novidade? Not much... Estamos nos adaptando à vida aqui, descobrindo onde comprar as coisas com o melhor preço (nossa maior dificuldade: Queijo pro Tiago e frutas pra mim - Mano, como assim 3 dólares em UMA MANGA!!!! Uma! Apenasmente uma única! Assim, tipo, descascou, comeu, cabou... 3 doletas! Me recuso!!!) Mas aos poucos estamos aprendendo onde e quando comprar as frutas (já tenho meu mercado favorito de fazer "feira" mas ainda só compro a fruta que tá na promoção, hehehe... Outro dia era pêssego por 69 centavos o pound: Comprei 3 kilos, comia 2 ou 3 por dia, fazia suco pro Tiago, foi bem bom enquanto durou, haha). Queijo foi mais difícil, até porque a noção de queijo deles aqui é bastante duvidosa. Plástico com corante, eu diria... Serve pra tapear, fazer um grilled cheese no máximo, mas se você quiser queijo de verdade, meu amigo, se prepare pra soltar a verba, que a brincadeira custa caro. Mas aí, um belo dia, fui numa delicatessen holandesa que tem aqui na esquina (que por self preservation instincts nunca tínhamos ido, haha) procurar uns benditos biscoitos que meu irmão supostamente adora, mas que na realidade NÃO EXISTEM, #prontofalei, pra ver se mandava pra ele pela amiga que estava aqui de visita. Claro, não achei os biscoitos-imaginários, mas achei uma bola deliciosamente gigante (sério, do tamanho de uma bola de futebol) de queijo holandês "vencido" (segundo a placa: "Outdated but still good") por um preço inacreditável! Foi meu presente de dia dos namorados pro Chuchu (nothing says "I love you" like a big ball of cheese). E sim, estava (ainda está e provavelmente ainda estará por um bom tempo) still good, so very very good!!!

E só pra fechar aqui com o que deixei suspenso no último post: E a praia? Olha, vou te dizer que adorei! E olha que eu fui pra lá com a maior má-vontade, eu admito. As praias aqui são feias, pra quem cresceu no Rio de Janeiro (eu diria até nasceu, mas nah, sou paulista de nascimento, hehe. Fun fact pra quem não sabia). A areia é grossa e escura, a água também, meio azul-amarronzada, nada convidativa. Feio mesmo, sabe? Mas, descobri algumas vantagens das quais gostei bastante: Essa areia feia e preta não gruda em você. Não gruda mesmo, sério (tinham me falado já, mas não acreditei até ver com meus próprios olhos/pés). A água é geladinha, mas honestamente, eu frequentava a praia da Barra então, nada de novo debaixo do sol... E por falar nele: Ô que delícia que é esse sol infinito até 10 horas da noite. A gente só chegou na praia às 5, e a areia tava morninha, o sol delicioso, na "quentidão" certa, não dá vontade de ir embora nunca, podia ficar deitada lá por horas! Ah, e a praia em que fomos era no Stanley Park, ou seja, fomos caminhando pelo bosque até chegar na praia e pelo caminho encontramos guaxinins, patinhos, castores e uma barraca vendendo cerejas orgânicas! Tem como ser melhor? Vou até botar umas fotos aqui, mas já sabendo que vão ficar uó do borogodó, então quem quiser ver melhor, olhe as que coloquei no facebook, hehehe.









Bom, e por hoje é só, pessoal. Até a próxima! Beijos no coração!!!

Monday, June 15, 2015

Correria

Oi, tchurma! Voltei!

Fiquei duas semanas sem dar as caras por aqui (e já até recebi cobranças de escrever mais! Que fofo!) porque estava numa correria muito louca... Logo no dia seguinte daquele último post, o emprego do Tiago (Charlie's Currency) realmente me chamou pra começar a treinar, mas disseram pra eu não pedir demissão por enquanto, porque eles ainda iam ter que ver se eu seria um good fit na posição, etc, etc, etc. Aí #comofaz? Fica com 3 empregos, né... O Hells Kitchen (IHOP) que ainda não tinha largado, o Sear que já tinha começado, e o Charlie que estava treinando... Para exemplificar minha correria: Uma pessoa que trabalhe part-time em geral faz de 10 a 20 horas por semana. Uma pessoa que tenha um emprego full-time cumpre em torno de 40 horas por semana (de 38 a 42). Uma pessoa desaparafusada das idéias que nem eu que ache normal tentar conciliar 3 empregos faz quantas horas? Nada mais nada menos que 55 horas em uma semana!!! Se juntar a isso os tempos de deslocamento entre um emprego e outro sobra o quê? Uma pilha gigantesca de louça pra lavar, duas semanas de noites mal dormidas e almoçando sanduíche no metrô e uma estranha sensação de não entender direito que dia é hoje! Tcharan! Mas consegui me virar, aguentei as duas semanas, recebi a carta verde do Charlie pra mandar a coreana chupar uma manga, me contive e não mandei, mas pedi demissão simpaticamente, e ela simpaticamente até nem me pediu para cumprir o aviso prévio (que aqui são só duas semanas, mas seriam mais duas semanas de maluquice extrema, hehehe).

Assim, eis que ontem tive meu último shift na Panquecolândia, e agora posso curtir a liberdaaaaaade! Tanta liberdade que hoje até estou de folga e vou aproveitar pra ir pra praia!!! Depois eu conto como foi...

Mas antes, como é que foram essas semanas de trabalho infinito? Conta pros amiguinhos que já estão pensando em desistir: Nãããão, não desistam não! Não vou dizer que foi fácil, supimpex, de boassa... Não foi. Mas foi a morte lenta e sofrível da exaustão suprema? Também não. Não sobrava tempo pra escrever no blog, ok, a casa realmente ficou meio descuidada, ficou (até porque nesse mesmo período o Tiago estava passando pelas provas de meio de semestre - midterms - e também não estava tendo muito tempo livre), o processo culinário que a gente normalmente curte se resumiu a comidas instantâneas e arroz de gororoba... Mas a gente até encontrou umas brechinhas pra curtir a vida aqui e ali (já que nem só de panqueca vive o homem). Consegui um dia inteiro magicamente livre no meio dessas duas semanas (uma segunda feira em que nenhum dos 3 empregos me requisitou) e fui conhecer a piscina pública da vizinhança (Uma delicía! Nada luxuosa, pequena, simples, mas absurdamente bem mantida e no meio, é claro, de um parque lindo e verdejante. Foi o dia zen que eu estava precisando!) Também fomos ver Jurassic Park no cinema, fomos jantar fora cozamigos num restaurante-castelo-presídio (era um antigo presídio, contruído em formato de um castelinho simples, e que agora é um restaurante/pub bem bacaninha e com uma vista espetacular)...

Os amigos, aliás, foram a melhor parte dessas semanas malucas: Teve a Ms Moore, que ficou uns dias aqui em casa, best guest award, segurou as pontas legal, cuidou da nossa bagunça, encarou nossas gororobas de jantar, e ainda foi mega fofa e leu minha alma, me dando o melhor presente que eu poderia querer neste momento: chiquezices para um delicioso banho de banheira que cura pernas cansadas e mal olhado num único e cheiroso mergulho (sim, já estreei, Vanessa!) Também teve o casal-sensacional Ju-Abreu, que vieram, como nós tínhamos vindo em Dezembro, visitar-com-segundas-intenções... Ele eu conhecia (ainda que pouco) e ela foi uma novidade muito bem vinda, adoramos! (agora é torcer para que as intenções deles se concretizem e eles venham ser nossos vizinhos, hehehe) Eles foram também os companheiros de mais algumas escapadas nessa nossa rotina doida, como um fim de tarde, depois de um full-day de Cinderela (pra mim) e de Faculdade (pro Chuchu), passeando no parque e fazendo um piquenique na companhia de patos que vinham pedir migalhas (patos gordos e americanos, porque eu dei fruta pra eles e eles esnobaram, mas comeram uma fatia inteira de bolo e um punhado de batatas fritas), uma visita ao observatório do planetário, pra tentar ob-observar (hipócritas disfarçados rondando ao redor? Não, planetas mesmo) mas aqui nesta latitude o dia custa a ir embora, e ficamos lá até as 10:30 da noite, mas o céu ainda insistia em ser azul-clarinho, e eu já com sono, e o povo já com fome... Aí vimos uns dois planetas meio claros demais e desistimos e voltamos pra casa, hahaha.

Mas resumindo as conversas: Trabalhei feito uma condenada, Tiago virou noites fazendo trabalhos finais e estudando pra provas (que aliás, permitam-me um pequeno parênteses de orgulho matrimonial, ele esta KICKING ASSES na faculdade, tirando as maiores notas da turma, e em alguns casos, da história da faculdade), mas ainda assim, com toda a correria, Life's good! A gente está curtindo muito e aproveitando o que a cidade tem pra oferecer de melhor, e com isso eu percebi uma coisa divertida: Quando a gente veio de férias em Dezembro, uma das coisas que mais nos chamou atenção, e que a gente sempre comentava, é como as pessoas, mesmo nos mais sub dos sub-empregos, sempre pareciam felizes. Lembramos até hoje de uma velhinha latina que nos pediu licensa para limpar a mesa onde estávamos sentados num shopping, e ela falou com a gente com uma alegria e uma simpatia, e ficou cantarolando e dançarolando enquanto limpava a sujeira da mesa. Isso tinha me impressionado muito, especialmente porque não era um caso isolado. Assim como essa senhorinha estava feliz, todos os motoristas de ônibus também estavam, e os pedreiros nas obras do centro, e as atendentes do McDonalds e os guardinhas noturnos, e a moça que limpa os banheiros... E agora que eu percebi que eu sou um deles! Eu sou a mocinha que limpa as mesas do restaurante de café da manhã e eu faço isso cantando Hakuna Matata! Porque? Porque mesmo eu tendo um sub-emprego (ou no caso 3, hahaha), eu aqui sustento um estilo de vida com esse sub-emprego que me permite esses momentos de lazer e alegria durante a semana, eu tenho qualidade de vida e segurança, eu tenho acesso a coisas e serviços de uma maneira planejada, organizada e desburocratizada... Porque nós, como eles, que em sua maioria são também imigrantes, viemos pra cá pra encarar isso mesmo, pra batalhar e fincar a bandeira, e vivemos uma outra realidade em outro contexto e sabemos apreciar as pequenas conquistas da vida... Enfim, porque apesar dos pesares, life really is good!

E agora deixa eu ir que a praia me espera! Love you all!

Saturday, May 30, 2015

Gata Borralheira

Era uma vez, num reino muito, muito distante...

... Uma doce e meiga menina (cof, cof) aprisionada num castelo de panquecas, onde a madrasta cruel estava sempre gritando com ela em "koreaninglês", uma língua terrível e assustadora, hahaha. Tá tipo assim mesmo, só estou esperando os passarinhos e os ratos virem me ajudar, que já tá fo#@ :P

Basicamente, minha rotina no IHOP é igual a da Cinderela mesmo (já até perdi um sapato no ônibus, então acho que #taserto): Tenho uma madrasta-manager bizarra, que passa o dia gritando e dando esporros em todo mundo (num inglês-koreano horroroso e gaguejante mas com um indiscutível tom de humilhação) no melhor estilo Hell's Kitchen boladão de ódio... Se fizer, leva esporro porque fez, se não fizer, leva esporro porque não fez. Se fizer errado leva esporro duplo, se fizer certo leva esporro pra fazer mais rápido. Se ajudar alguém com as tarefas, leva esporro pra aprender a não se meter, se não ajudar, leva esporro pra não ser egoísta. True story, bro, não tô exagerando em nada! Já tomei vários foras por tentar ser pro-ativa e fazer alguma coisa idioticamente simples (tipo guardar os potinhos de peanut butter no lugar) enquanto não tem nada pra fazer "das minhas tarefas", porque "essa não é a minha tarefa"! Meeooo Deoozziiiss, e agoraaahh? O mundo vai explodir porque eu guardei a caceta da manteiga de amendoim sem ser minha tarefa! Malz ae por ter tentado ajudar, tia...

Aí você pensa "&@$#*&#**$ também não vou fazer mais nada então nessa birosca, a não ser minhas 3 estúpidas tarefas: Sentar os clientes que chegam, trazer as bebidas deles e limpar as mesas quando eles saem". Resolveu? Não: Esporro. Porque? Sei lá, varia de acordo com o feeling do momento... Ou porque levei todas as bebidas de uma vez (e ela acha que vou derramar) ou porque levei metade de cada vez (e ela acha que vou demorar), ou porque eu estou andando da direita pra esquerda e deveria ser da esquerda pra... Ah, faça-me o favor, né?

O fato do trabalho ser bem basal (na vibe da Cinderela mesmo, hehe) não me incomoda em nada, de verdade, é só a "madastra" que tá pegando.... Ok, pra ser sincera, no início exigiu uma certa desconstrução das minhas auto-expectativas encarar um emprego desses, e até confesso que foi mais fácil aceitar na teoria um sub-emprego imaginário quando estávamos ainda planejando essa loucura de mudar de país ("e se for pra fritar batatas no McDonalds, ok"), do que na prática, na hora de realizar que minha profissão agora é limpar a sujeira dos outros, tendo meus lindos diplomas de mestrado e do escambau arquivados numa pasta em casa. Mas essa parte foi só uma facadinha no ego que cicatrizou rapidinho. Mas aturar todo dia várias horas de trabalho braçal generosamente salpicadas de esporros constanstes, pode ser bem challenging... Entãou vou dedicar este post ao meu Manual de Cinderela: Um guia mental para aturar a madastra má e as tarefas degradantes e ainda ter ânimo para acordar cantarolando todos os dias.

#1 Supéralo: Adoro os memes "supéralo" que volta e meia pipocam no meu Facebook, e deles tiro a inspiração para baixar a bola. O ponto fundamental é: você não é o fodão, supere isso. E eu não sou a fodona. Engole esses diplomas e sua moral inflada e cai pra vida que é isso aí.

#2 Sinta orgulho: Eu já a muito tempo reparo um fato que sempre me pareceu curioso e admirável: Que o orgulho que uma pessoa sente de seus feitos tem mais a ver com a pessoa do que com os feitos. Já vi muitos pedreiros mais orgulhosos de suas obras, de como a parede ficou lisinha e o piso nivelado, do que engenheiros dos seus projetos. Já vi mais faxineiras orgulhosas de um banheiro cheiroso do que executivas de suas reuniões em hotéis 5 estrelas. E assim eu também, que sempre senti muito orgulho da minha carreira acadêmica, agora faço o exercício silencioso de me orgulhar dos talheres simetricamente dispostos, da mancha de ketchup escondida atrás do saleiro que foi encontrada e limpa, de conseguir lembrar 8 pedidos de bebidas de uma vez só... Enfim, nenhuma tarefa é pequena demais que não mereça seu melhor desempenho, e consequentemente seu orgulho ao completá-la. Tudo bem que esse exercício fica BEM mais difícil quando você tem uma bruxa carcomida te atazanando as idéias e tentando te convencer de que tudo que você faz está errado por algum motivo bizonho ou por outro... Mas isso só faz com que seja mais importante ainda encontrar e cultivar esse orgulho.

#3 Encontre refúgio: Eu, particularmente, coloco uma boa música pra tocar na minha cachola ou evoco alguma lembrança boa ou mentalizo alguma pessoa que eu amo (vocês, meus lindos que estão me lendo aqui, podem ter certeza que em mais de um momento já sumonei cada um de vocês pra animar meus dias de gata borralheira).

#4 Recolha gotinhas de alegria: "Gotinhas de alegria" estão em vários lugares, você só precisa saber encontrar e absorver. Está um dia bonito lá fora? Olhe pela janela enquanto limpa a mesa e deixe a beleza entrar em você. Tem uma criança fofa na mesa 45? Dê um sorrisinho pra ela, ou um tchauzinho: Com certeza ela vai te "responder" e você poderá desfrutar de 3 segundos de fofura extrema. Faça uma piada ou uma gracinha com algum colega de trabalho ou algum cliente: Mesmo que a piada saia sem-graça porque você está meio amargurada, a resposta é (quase) sempre positiva, e aí você pode colher outra gotinha de alegria que você mesmo plantou.

#5 Tenha perspectiva: Aquela velha frase de "podia ser bem pior" é horrível de se ouvir, mas ajuda muito quando você está passando por desafios constantes. É um jeito meio distorcido de ter gratidão, de count your blessings, mas funciona bem quando você não está num momento particularmente grato. Eu gosto de olhar outras pessoas, muitas delas com olheiras profundas, com uma cara de acabadas, e pensar "Eu não sei os desafios pelos quais ela está passando, mas certamente eu não gostaria de estar assim tão cansada" e de repente meus problemas parecem menores, mais suportáveis. E eu lembro que minha vida na verdade é super feliz, e que eu estou exatamente onde queria estar, com quem eu queria estar e fazendo exatamente o que eu me propus a fazer.

#6 Descentralize: Não é tão fácil, mas é uma continuação do exercício anterior. Olhar as pessoas em volta fora da sua própria perspectiva (não como o que essas pessoas representam para você -chefe, cliente, colega- mas sim como o que elas são para elas mesmas) é o primeiro passo, e dele você tanto vê que os seus problemas não são tão problemáticos assim (#5) quanto que o que as pessoas fazem ou como elas agem é um reflexo delas mesmas, e não de você. Isso te leva a uma conclusão maravilhosamente simples: Eu não estou tomando esporro tanto assim pelo que eu faço, mas em grande parte pelo que a pessoa que me dá esporro é/faz/pensa. Assim, eu fico menos deprimida comigo mesma e posso voltar a ter orgulho do meu TOC por talheres simétricos! O único cuidado aqui é não reagir a essa mentalidade com "Sua vaca mal amada gritalhona!" e sim tentando extender a ela a mesma compaixão de "Não sei quais são os desafios que ela enfrenta, mas também não devem ser fáceis, pra ela ficar com esse belo humor de porco-espinho acuado".

#7 Pense macro, não micro: É importante entender, e muitas vezes se re-re-re-RE-lembrar, seus próprios motivos. Porquê estou aqui, passando por tudo isso? Ou melhor: Para quê? Eu tenho meus objetivos pessoais, e eu entendo que essa é a estrada que vai me levar a eles. Se eu ficar focada de mais nas migalhinhas de problemas que tenho agora, perco de vista a big picture. Mas se eu olhar bem pra frente, pro horizonte dos planos, percebo que tudo é passageiro e um dia eu não estarei mais aqui, e sim lá. E aí vou fazer a dancinha do caranguejo "ne-ne-ne-ne!" hahahaha.

Bom, eu podia continuar, mas vou parar em 7 pra dar sorte (e poupar vocês, hehe)...

Mas talvez esse meu conto de fadas ainda tenha um final clichê, porque meu príncipe-encantado-no-cavalo-branco está vindo me resgatar: O Tiago, com toda a moral que ele já conquistou no emprego dele (que pode ser aqui descrito como a terra-encantada-dos-sonhos-felizes, já que a chefe dele é um amorzinho-bilu-bilu comparada com a minha bosszilla, e até leva guloseimas pra ele no meio do expediente) está vendo de me descolar um emprego lá também. Assim, se isso de fato se concretizar, eu escaparia das masmorras do IHOP, manteria o outro emprego na Sears (que começa semana que vem e é só part time também) e pegaria esse aí de part time também. Mas enquanto nada disso acontece, eu vou levando a vida assim de tom em tom, e sou grata pela oportunidade de estar praticando meus skills de Cinderela-zen.

Mandem-me suas vibrações positivas também. Amo vocês. Beijos-encantados.

Friday, May 22, 2015

Nóis precisa de worká

Então, o último post eu terminei com "Agora eu tenho que ir que já me atrasei pro trabalho", né? Aaaaahhhh, as ironias da vida... De fato ela é uma caixinha de surpresas!

Eu já tinha dado uma pincelada aqui sobre nossa saga de procurar/arranjar empregos, e já tinha contado da minha primeira experiência (um fim de semana catando telefones de pessoas pela rua para que depois algum telemarketing possa infernizar a vida delas até elas se convencerem a comprar um aspirador de pó overpriced) e já tinha introduzido minha segunda aventura trabalhística (quase a mesma coisa, mas dessa vez tentando conseguir doações para criancinhas escravizadas do terceiro mundo, ou para criancinhas internadas em estado crítico no hospital da cidade). Bom, como eu ia continuar nesse esquema de andar pra-cacetemente indo de porta em porta, comprei um par de tênis (melhor investimento DA VIDA, valeu cada um dos 4 mil centavos que custou) e parti pro abraço! Eu até que gostei desse lance de passar meus dias andando por aí, conheci várias vizinhanças fofas, me distraía olhando as flores e os esquilos, imaginando como seria se a gente morasse nessa casa, ou naquela, ou naquela, ou naquela... Também gostava da parte de falar com as pessoas, 80% delas eram muito simpáticas, 10% não falava inglês e as outras 10% só falavam NÃO e fechavam a porta na minha cara, mas como isso era só 1/8 de segundo de grosseria, ok, ignora e vamos pra próxima porta conhecer algum imigrante legal com uma história legal pra contar (todo mundo aqui é imigrante, e quase todo mundo é legal, hehehe). Fiz muitos "amigos de 5 minutos" (principalmente velhinhos, que aproveitavam a chance de finalmente surgir alguém ali pra ouvir as conversas deles) e conversei com muitas pessoas diferentes, maaaaassss.... Por mais feliz que fosse a conversa, por mais animada que eu me fizesse, por mais simpáticos que eles parecessem... Eu simplesmente não conseguia doadores. Todo mundo achava muito legal ajudar as criancinhas, muito lindo o que eu estava fazendo, muito "boa sorte com tudo mas não vou doar não, obrigada". Fuéin. Em 2 semanas consegui 2 doadores (e o normal é conseguir isso - ou mais - por dia! Pra vocês verem minha situação). Então eu já estava percebendo que a coisa não ia rolar muito bem assim, hehehe. Até porque eles pagam um salário cheio, por hora (e nem é salário mínimo, é até um pouco mais) independente de performance, então empregar alguém como eu (incapaz, por alguma maldição do destino, de conseguir doadores), é praticamente tirar comida da boca das criancinhas famintas (o que eu consegui de doação não cobre o que eles me pagavam pra trabalhar). É, farejei demissão (além de ficar seriamente com peso na consciência por não estar produzindo nada) e quarta-feira fui pro trabalho com uma bandeija de pães de queijo recém-assados pra oferecer pra todo mundo e um pedido de demissão na ponta da língua. É sempre melhor, em termos de currículo, você pedir pra sair do que ser demitida, e como qualquer çeromano poderia claramente perceber que eu não era, por assim dizer, the best fit for that job, pedi pra falar com a gerente, e disse que me sentia mal não trazendo resultados, e que talvez fosse melhor não insistir no que claramente não estava funcionando e tal e coisa. Ela, uma jamaicana extravagante e muito bem "guarnecida", foi um docinho de côco, uma simpatia tanta que o pobre até desconfia, e me lavou com um discurso de como eu tinha muito potencial e só precisava ganhar mais um pouco de confiança e prática, e que ela não queria me ver desistindo assim tão fácil, pra eu continuar mais um pouco, que ela ia ver de me treinar de novo, talvez por uma pessoa diferente, e blábláblábláblá. Ok, não desisti, arquivei meu pedido de demissão junto com o pote vazio dos pães de queijo e fui pra rua mais uma vez, e mais uma vez voltei de mãos abanando... Mas tá tranquilo, eles vão me treinar, they say, não é pra eu desistir, they say... AHAM, CLÁUDIA, vão sim!

No dia seguinte, NO-FREAKING-DIA-SEGUINTE, mal eu entro no escritório e a jamaicana já vem "ah, então, infelizmente você não está sendo produtiva então vamos ter que esquecer toda aquela baboseira que falei ontem e te demitir, ok?". OI?! Que que houve, o pão de queijo te deu caganeira? Oh louco, véi, a mulher no mínimo tem distúrbio de múltiplas personalidades. So much for "pedir demissão pra pegar melhor no currículo" kind of thing...

E o pior dos piores de tudo foi que eu, já na certeza de pedir demissão na quarta-feira, tinha marcado uma entrevista pra outro emprego (na Sears) para quarta à tarde, a qual, depois de ser persuadida pela mother-africa (pra não dizer mother-f*****), tive que "cancelar" (cancelar, neste caso, meaning não ir, porque simplesmente não consegui falar com a mulher para avisar desse pequeno "contratempo"). Passei lá no final do meu expediente só pra dar as caras e alguma espécie de justificativa, que pela cara de limão azedo da gerente ela não engoliu nem mais ou menos. E tudo isso pra ser demitida no dia seguinte. É, maldita caixinha de surpresas, hahaha.

Mas como o baguio aqui é doido, e não po$$o ficar parada, eu pensei "Quer saber? F***-se, estou com um currículo na mão mesmo (que tinha levado para a entrevista-furada de quarta e acabei não usando e esquecendo no escritório do recém-ex-emprego) então vou passar no primeiro lugar que encontrar que esteja contratando (normalmente colocam uma plaquinha de "hiring" na porta) e vou largar meu currículo lá". Achei um IHOP (restaurante bacaninha de café da manhã) contratando num shopping perto de casa, entrei, o gerente estava lá, já fez a entrevista e pronto, resolvido. Demitida num lugar e contratada noutro em menos de 1 hora! Catchaw! Alô, é do Guiness? Queria anunciar um novo recorde...

E no fim das contas a entrevista que furei na quarta consegui remarcar pra sexta (hoje) e fui lá e consegui reverter a primeira (má) impressão e agora a Sears quer me contratar também! Ou seja, vou ver se dá pra dar um rebolation nos horários e ficar com os dois empregos... Chupa essa manga Dona Jamaica! Parafraseando meu primo: ♫ "Eu tenho dois empre-gos, você só tem u-um!"

Mas bom, brincadeiras à parte, nesse emprego das ONGs ainda me diverti um bocado, conheci também muita gente interessante entre os próprios colegas de trabalho, todo mundo com uma vida diferente, histórias interessantes, a grande maioria jovens estudantes que vieram de todos os lugares do mundo tentar a sorte aqui, sozinhos, na coragem... E todo mundo era muito legal (inclusive a Big Boss, que tô meio sacaneando aqui, mas é mais pra animar a narrativa do que por ter guardado qualquer rancor dela - que não guardei, ela era bacana até). E agora é bola pra frente que o jogo é esse mesmo, e só perde se ficar parado. Ainda continuo semeando currículos pela vida, sonhando alto ou chutando o balde, e até algum vingar sirvo panquecas ou vendo sapatos, o que estiver na vez.

E nesse meio tempo o Tiago, que esteve numa saga parecida procurando algum part time pra preencher os horários em que não está na faculdade, deixou currículo em lojas de CDs, lojas peças de carro, aplicou on-line pra lojas de eletrônicos e de telefonia, foi entrevistado para ser picador de legumes num restaurante, e acabou contratado pra trabalhar numa casa de câmbio... E está arrasando a boca do balão! No segundo dia de trabalho já ficou lá sozinho cuidando de tudo, no terceiro dia ganhou acesso ao super-master-cofre-milionário e já está sendo comentado como o aprendiz mais rápido (do velho oeste) que elas já viram. Go chuchu! Não dou dois meses pra ele ser gerente do lugar, hahaha.

Ai, ai... Segunda já começo no trabalho novo, e até lá vou curtindo essa vida de "demitida", aproveitando para ler bastante (nosso prédio tem uma estante de livros na entrada, que podem ser "pegados emprestados" = Muito Amor!), lavar a louça acumulada das últimas algumas semanas (hahaha, essa vida de trabalho andou complicando as rotinas), e relaxar. É, e vou ver se dou as caras por aqui com mais frequência agora que o tempo está sobrando, pra variar um pouco...

... Mas por hoje é só! Tem um chazinho me esperando aqui... huuummmm

Thursday, May 21, 2015

Lar doce lar

Pô, tá difícil manter a frequência dessa birosca aqui, hehehe. Sorry... Mas aos pouquinhos vai!

Onde tínhamos parado? Ah, sim, conseguimos um apartamento lindo (e boring) na estonteante velocidade cósmica de 3 dias (ligamos no sábado, visitamos no sábado mesmo, mandamos a documentação no domingo, viemos assinar os papéis na segunda! Hell yeeaaahhh!) Ainda tínhamos mais uma noite de hotel (de segunda pra terça) então dormimos mais uma vez afundados na mordomia king size e cercados de travesseiros suficientes pra 4 pequenas famílias, e terça lá fomos nós de novo, com as crianças ensacoladas e as malas todas, rumo ao nosso novo lar! Mesma treta de sempre: Anda, pega ônibus, pega metrô, sobe rampa, pára pra descansar, sobe mais um pouquinho, desiste e deixa o marido fazer duas viagens com as malas (hehe, faz parte) e finalmente estamos em casa! Temos fogão e geladeira (que aqui sempre vem nos apartamentos alugados) mas não temos nada dentro da geladeira e não temos nada na casa inteira a não ser nossas 4 malas bagunçadas pelo chão. Mas o apartamento tem um carpete fofão e nós trouxemos lençóis na bagagem, então nessa primeira noite forramos o chão e nos cobrimos com um snuggie (aqueles cobertores com mangas, sabe, tipo um roupão) e voilá, dormimos muito bem até! Os gatos se aninharam pra dormir nas nossas roupas (provavelmente o único lugar com cheirinho familiar no meio de tanta novidade) mas volta e meia saiam para explorar ou usar o banheiro e "se perdiam" da gente, e começavam a miar desesperados, até a gente "responder" e aí eles seguiam nossa voz e vinham correndo aliviados pro nosso colo.... Tadinhos, nunca moraram num lugar tão grande (ou talvez tão vazio), hehehe.


Quase chegaaaando

Chegaaando

Chegou!







Os próximos dias foram um redemoinho doido de sortes e correrias, pra conseguir arrumar as coisas básicas pra nossa casinha pelo menor preço possível. Foi tão exaustivo e maluco que eu nem consigo mais me lembrar da ordem cronológica das coisas. Não pretendíamos comprar nenhuma mobilia grande, exceto a cama e talvez algum sofá, porque o resto a gente ia conseguir de graça pelo craigslist (acho que já mencionei aqui, mas explico de novo: Craigslist é um classificados online, onde tem muita coisa pra vender/comprar, mas também tem muita coisa de graça! Pessoas que estão se mudando, ou renovando a casa, ou que por qualquer motivo não querem mais seus móveis e não tem o que fazer com eles, colocam de graça no craigslist, aí você só tem que passar lá e buscar! Só decidimos não fazer isso com cama e sofás porque poderiam vir com bed bugs ou outras pragas que depois iam dar tanta dor de cabeça e despesa pra exterminar que não valia a pena). Aí, logo no primeiro dia, indo no supermercado, passamos por uma Sears enooorme que estava fechando e vendendo tudo que ainda tinha sobrado dentro da loja por 1 pentelhonésimo do preço. Compramos um sofá-"cama" (é, ok, vou fingir que dá pra dormir nele just for the sake of argument) e uma poltrona "reclinável" (ainda não arriscamos reclinar ela... essa era do mostruário, então já está meio comprometida... suspeito que ela vá desmoronar pra trás, em vez de reclinar) mas custaram apenas 50 pilas cada! Foi um excelente negócio... o único porém? A loja estava REALMENTE fechando então tinhamos que buscar os sofás até sexta senão bye-bye, cabou, fechou, perdeu (playboy). E não, eles não entregavam mais. Fuuuu. Ok, já tínhamos um plano de eventualmente alugar um U-Haul (um esquema genial que tem aqui, em que você aluga seu próprio caminhão e faz sua própria mudança) pra sair pegando mobilias gratuitas pela cidade, mas esse lance de ter que ir buscar nossos sofás até sexta-feira complicou nossas idéias (especialmente porque o Tiago já estava estudando, então não tínhamos tanto tempo livre assim). Mas ok, se é isso que temos que fazer pra conseguir sofás baratos, é isso que vamos fazer!


Cozinha completa... Mas vazia, hahaha!















Só um resto de comida chinesa na geladeira...
... E Nutella no armário!



Mas temos que aproveitar o mesmo caminhão (pra não ter que gastar duas vezes com o aluguel), então saimos correndo pra garantir tudo que íamos querer: Entramos em contato com todos os "doadores de móveis" e combinamos de buscar tudo no dia seguinte. Também fomos seguindo nossa sorte atrás de uma cama super barata: Tínhamos visto um anúncio colado num poste no centro sobre um depósito de colchões que vende para hotéis e que estava com estoque a mais "encalhado", então estavam vendendo por tipo 1/3 do preço que em lojas normais, e foi aí que compramos nosso colchão, mas achamos a base (box) muito cara, e como estamos em contenção de despesas, decidimos deixar o colchão no chão mesmo pelo menos por enquanto.

Aí no dia seguinte, depois da aula do Tiago, lá fomos nós pegar o caminhão e rodar a cidade catando móveis de graça e nossas barganhas compradas. Tudo muito lindo, muito feliz, mas mano, vou te contar, carregar móveis e encher um caminhão não é tarefa fácil, hein.... E ainda tivemos algumas sortes/surpresas (demoras) pelo caminho: Primeiro, numa das casas em que fomos, pra buscar uma mesa de computador, a moça era tão, mas tão simpática, que quando soube que a gente tinha acabado de chegar do Brasil, e que não tínhamos nada ainda, foi rodando a casa e pegando coisas pra nos dar, então fomos lá buscar uma mesa e saímos de lá com vasos de planta, jogos americanos, copos, taças de vinho, cadeira, estante, enfim, meio caminhão cheio já aí, hehehe. Segundo: Quando passamos na Sears (a essa altura do campeonato já eram 20:30h) a moça nos deu a grande dica: Uma loja que revende as devoluções dos produtos da Sears (coisas que as pessoas compraram, levaram pra casa, mas depois mudaram de idéia e devolveram) e eles vendem as bases da cama por 20 dólares! Só que fechavam às 21:00! Saímos correndo, Tiago dirigindo o caminhão como se fosse no GTA, as coisas lá na caçamba se catraqueando a cada curva e eu ligando pra lá pra tentar ver se eles esperavam a gente: Não, não esperavam, a mulher me disse, mas conseguimos chegar a tempo e comprar a última base queen que tinha na loja!






















Foi bizarramente cansativo, mas valeu muito à pena, pois conseguimos mobiliar nossa casinha com o mínimo de custos! Só que nessa de enche cainhão, roda a cidade, des-enche caminhão, sobe as tralhas pelas escadas (é, nosso apê é no segundo andar de um prédio sem elevador), nossa mudança só acabou pra lá de meia noite... E o pobre do chuchu ainda teve que ir devolver o caminhão depois disso e voltar pra casa de ônibus (por sorte a gente agora mora no primeiro mundo, onde os transportes são confiáveis e as ruas seguras), enquanto eu desempacotava nossa cama e montava ela (e descobria que nossos lençõis que a gente tinha trazido do Brasil não serviam na cama porque era de casal e a cama é Queen, hahaha). No dia seguinte, pra me retratar com os vizinhos pela bagunça fora de gora, foi no mercadinho aqui da esquina e comprei 4 bandeijas de cookies pra colocar na portaria junto com um recadinho improvisado (escrito no papelão da caixa de sucrilhos) pedindo desculpas.






Então é isso, agora tenho que ir que já me atrasei pro trabalho! Beijos pessoal!!!!

P.S.: Cruzes, as fotos ficam horríveis nesse blog... Ignorem a disposição contemporânea delas e cliquem se quiserem ver a imagem maior. Fui!!!

Sunday, May 10, 2015

1 mês de Canadá (e feliz dia das mães)

Hoje é dia das mães. A data em si é mais simbolíca, é só uma formalidade, porque saudade de mãe é todo dia, não espera o calendário.

Hoje também faz exatamente 1 mês que desembarcamos aqui (sem mães, hehehe). Mais um marco no calendário, mas a comemoração aqui também é diária (porque as lutas e as conquistas também são).

Mas só pra não deixar passar em branco, vou fazer um post contando como foram nossos primeiros dias aqui, a viagem, o desembarque, as novas prioridades que tivemos que atacar...

A viagem foi longa (and I mean, reeeeeaaalllyyyy longa) mas tranquila: Os gatinhos, devidamente embalados e nocauteados por umas gotinhas muito doidas de calmante, quase não se manifestaram (o Sancho, que é o gato mais de boas do universo inteiro, ficou lá, relax, dormindo, tão calminho que nem demos a segunda dose das gotinhas, mas o Pepe começou a reclamar mais pro final das 30 - TRINTA - horas de viagem, mesmo com o calmante). A gente ia ter que ficar 6 horas esperando a conexão em Toronto (não existem vôos diretos Rio-Vancouver, e tivemos que pegar um vôo um pouco mais tarde de Toronto pra Vancouver por causa dos gatos, e alguma questão de número máximo de animais na cabine por aeronave) mas o mau tempo impediu o pouso em Toronto e tivemos que ir pra outro aeroporto e ficar rodando por lá (dentro do avião) até melhorar a situação lá, então quando chegamos de volta em Toronto foi só o tempo de fazer a imigração correndo e embarcar no nosso vôo (que afinal acabou por ser bastante sorte termos tido que ficar nesse vôo mais tarde, porque o resto dos passageiros todos tiveram que ir lá remarcar suas conexões... Obrigada gatinhos!) Mas com esse atraso e correrias não conseguimos comer nada no aeroporto e nossa conexão pra Vancouver era dessas mequetrefes que de graça só água e olhe lá, então tivemos que comprar comida no avião, e eu inventei de pedir uma sopinha (a coisa mais barata do menu) que no fim das contas era um cupnoodles light com gosto de absolutamente NADA! (nem sal tinha naquela birosca... cupnoodles light.... era só o que me faltava mesmo!)

Conclusão, chegamos em Vancouver do avesso de fome, mas ainda tínhamos muitas prioridades pra resolver antes de poder sequer pensar em comer: Pegar as bagagens pode parecer uma etapa fácil e normal, mas tentem, apenas tentem, andar por aí com duas malas gigantes (e socadas até o talo), uma em cada mão, e um gato a tiracolo. Normal e fácil não são mais as palavras que vêm à mente né? E ainda tendo que desviar de obstáculos e daqueles benditos pirulitos metálicos que ficam pelo chão do aeroporto pra não deixar passar os carrinhos. Bom, por sorte eu fiquei com o Sancho, que não pareceu se importar nadinha com as cacetadas acidentais que aconteceram pelo caminho até o Hotel. Sim, meus queridos, sim, o CA-MI-NHO até o Hotel, porque a gente pegou táxi? Nããããooo... A gente é pobre, lembra?! Metrô e uma belíssima caminhada up the hill, that's what we got. Eu, o Tiago, nossas 4 jamantas de rodinhas e nossos dois filhotes, pegando metrô e andando por 5 quarteirões até o Hotel. Por sorte eu não estava nos meus piores dias de coordenação motora, então fora uma entalada ou outra entrando e saindo dos elevadores, e uma das malas que insistia em tombar se eu soltasse a alça por meio segundo sequer, o trajeto foi percorrido com sucesso e sem (muitos) acidentes!

Aí faz check-in no Hotel, demora, espera, morre de fome, cartão de crédito do Brasil não funciona, vem a Gerente, "Não, não pode ser dinheiro, precisamos de um cartão de crédito", tenta esse, tenta aquele, morre de fome, espera, consegue algum deles finalmente, e pronto: Temos quarto! Soltamos os gatos no banheiro, demos água e fomos sair em busca das prioridades dos gatos (bem no espírito do dia das mães: Tem que cuidar dos filhos primeiro antes de cuidar de si). Encontramos uma petshop aberta e compramos "cama mesa e banho" pros gatinhos (ração e guloseimas, potinhos de metal, areia e caixa de areia). Serviço completo pra mimar eles depois de tanto sufoco fechados numa sacolinha de pano por mais de 1 dia inteiro (fora uma breve escapada pra esticar as patinhas no banheiro do avião). Aí sim, depois de alimentar as crias fomos nós matar nossa fome no Red Robin com um mega-cheese-burguer-boladão-de-cogumelos-e-muita-batatinha-pra-acompanhar!

É, todo mundo já sabe que minha barriguinha é meio sensível e temperamental, então, digamos que essa farra de junk food recém desembarcados do avião talvez não tenha sido a melhor idéia... Passamos num shopping na volta pro Hotel: Tiago queria dar uma olhada nos celulares e eu queria dar uma olhada no banheiro, e quando eu voltei pra encontrar com ele (não, não demorei taaanto assim) ele já tinha feito um plano de celular, já tínhamos dois números canadenses e dois aparelhos de graça. HÃN?! Como assim? Hahahaha. Só aqui mesmo (e só o Tiago mesmo). A gente não tinha nem endereço, conta no banco, ID, nada. Mal tínhamos saído do avião, for Christ's sake! Mas ainda assim, conseguimos assinar um plano de 2 anos na Roger e sair da loja com 2 celulares moderníssimos sem pagar nada por eles (pra não dizer que não pagamos nada, deixamos 100 dólares de depósito, só porque não tínhamos conta no banco, mas esses 100 dólares vão virar crédito para pagar nossas faturas)! Igualzinho ao Brasil...

Nessa noite mesmo, já com nossos celulares novos (e nosso jet lag de várias horas), ficamos olhando opções de apartamentos pra alugar, para tentar resolver essa questão à moda canadense: Rápido! Agora! Pra ontem! No dia seguinte de manhã ligamos pra geral, mandamos uma porrada de e-mails e já conseguimos marcar 4 visitas: Duas pro mesmo dia (Sábado) e duas pra Domingo. Aí é que começa a graça, hahaha

Colocamos no google maps o endereço da primeira casa a visitar e lá fomos nós: Metrô e ônibus e a vizinhança foi ficando cada vez mais eclética... Mesquitas, Centros Comunitários para imigrantes do Leste Europeu, restaurantes de culinária africana... Mais um tempo no ônibus e a paisagem mais e mais "diversificada" (nesse ponto já estávamos passando por strip clubs, casas de empréstimo/penhor e lojas meio duvidosas). Aí em frente a um posto de polícia gigantesco era nossa parada (ok, pelo menos deve ser seguro, hahaha), e fomos subindo uma rua normalzinha, com prédios antigos de 3 andares, e pensando "Well, not so bad", mas o google maps insistia em apontar para um quadradão bizarro no meio de um terreno mal cuidado. Eu: "Ah, com certeza tá apontando errado, deve ser um desses prédios bonitinhos do outro lado da rua". Não era. O """prédio""" que íamos visitar era um bloco nojento de concreto e madeira podre, com janelas quebradas e lixo na frente. E o lado de fora era até mais bem conservado que por dentro, hahaha. Vai parecer mentira, mas juro que não é: Chegamos lá pra visitar junto com uma assistente social e seu "case" (uma mulher que devia ser louca, ou mendiga, ou, muito possivelmente, os dois). É, estávamos considerando o mesmo apartamento que a assistente social considerava para alojar uma sem-teto: E ela recusou! HAHAHAHAHA (elas entraram primeiro e a mulher saiu de lá 15 segundos depois falando "É nojento, vocês não querem nem ver, é muito nojento". E era mesmo, mas, a gente, sempre tentando manter um otimismozinho básico, levou pelo lado "Ah, pelo menos é espaçoso.... E depois quando a gente tiver condições de se mudar daqui pelo menos vamos apreciar bem mais o próximo lugar". Como esse era o primeiro que estávamos visitando ficamos com um certo receio de que os outros fossem ser no mesmo nível, então já fomos tratando de nos acostumar com a idéia (se é isso que cabe no nosso orçamento, então é isso que vai ser e não adianta nada ficar se sentindo infeliz com a ideia).


Primeiro local visitado (Muquifo dos sem-tetos)


Mas aí o segundo local era lindo, muito lindo mesmo, um apartamento bem grande, num prédio antigo numa vizinhança toda fofa e cheia de velhinhos, com metrô, farmácia, supermercado e restaurantes tudo super pertíssimo. E mais ou menos pelo mesmo preço do muquifo da sem-teto! Go figure... Ficamos MEGA empolgados com esse apê (especialmente depois de termos visto o primeiro, hahaha) e já começamos a tratar de providenciar a papelada pra alugar (ainda tínhamos 2 pra ver no dia seguinte, mas como queríamos resolver isso logo, não custava nada já ir adiantando a burocracia desse apê que a gente tanto gostou - e depois do susto do buraco de cimento podre, não queríamos dar bobeira e perder um lugar legal). Na volta pra casa passamos na London Drugs pra comprar um computador (sim, é isso mesmo, compramos um notebook na farmácia, hahahaha... Só aqui mesmo, muito North America isso, a farmácia vende de tudo, cuecas, batatas fritas, aspiradores de pó, brinquedos, pizzas congeladas, eletrônicos, e até mesmo remédios!) e de volta ao hotel já começamos a preencher as coisas e arrumar todos os comprovantes (de renda, de antecedentes criminais, referências da nossa mui amada ex-landlady, etc e tal).

No dia seguinte nossas duas visitas foram: Um apartamento todo bacanoso no porão de uma mansão absurda num bairro de milionários, e um flat no último andar de uma casa muito louca no bairro dos maconheiros roqueiros doidaços. Não podia ter conseguido uma amostragem mais variada, hahaha. O porão era legal, com acabamentos luxuosos (torneiras, armários, banheira, maçanetas, tudo de primeiríssima) e ia ser até divertido brincar de morar no bairro dos milionários, maaaaassss, como a gente não é milionário e o bairro não foi feito levando em conta a ralé, não tem NADA exceto mansões e criancinhas louras brincando nas ruas por quilometros e mais quilometros (tínhamos que andar quase meia hora só pra conseguir pegar um ônibus, e depois mais meia hora no ônibus até chegar num supermercado.... Imagina "Ih, acabou o papel higiênico"). A casa dos roqueiros chapados era uma maluquice: Tinha um elevador de metal estilo steampunk e vasos em formato de caveira na varanda (que era toda remendada com madeiras tortas e pedaços de acrílico), o quarto era na verdade uma cama cercada de paredes (uma delas sendo um janelão imenso), sério, não tinha chão, você abria a porta e já era a cama, e a cozinha era um amontoado de bagunças tão grande que era difícil saber onde ficava o quê. Fora isso, era uma sala (corredor?!) e um banheiro... E nosso landlord/roomate (o cara que morava no andar de baixo e que estava alugando o studio) estava tão, mas tão drogado que não conseguia manter os dois olhos abertos ao mesmo tempo e demorava 25 minutos pra responder nossas perguntas. Ainda damos muitas risadas lembrando disso... Não sei se essas coisas acontecem com todo mundo, mas nossa busca por uma casa foi realmente engraçada.

No final das contas, entre o muquifo no bairro dos puteiros, o porão no bairro dos milionários e o o flat no bairro dos roqueiros, acabamos ficando com o apartamento normal no bairro dos velhinhos... Segundo o Tiago, isso é um sinal de que estamos ficando velhos e sem-graça, hehe. Mas adoramos nosso apartamento, que já está virando um lar, um pouquinho a cada dia, e já pode receber vocês, todos vocês, que queiserem vir visitar (acomodações 3 estrelas pela bagatela de dois sacos de farofa!)

E agora vamos sair para dar umas voltinhas e aproveitar o fim de semana. Não percam no próximo episódio, a saga de mobiliar o apartamento!

Beijos enormes e um beijo mais que especial para as mamães, pelo dia de hoje!