Oi família linda e amigos queridos!
Dei uma sumida, né? Foi só me gabar da pontualidade que a vida mostrou que minha pretenção de planos é insignificante na dimensão maior...
Logo depois de escrever o último post recebi a notícia de meu tio tinha deixado de precisar dessas coisas supérfulas e mortais como... viver (aqui neste mundo material, claro). É, ele foi continuar seu caminho no lado de lá, e a gente que ainda está aqui acaba sempre ficando meio borocochô com a ausência de quem se foi. Mas é só questão de acostumar o coração à saudade (coisa que este exercício de morar tão longe torna talvez mais fácil um pouco). Ainda assim, tirei um tempinho de luto, ou melhor de introspecção, que luto é uma palavra muito pesada, e o Tio Tiago não era desses, de levar a vida (nem a morte, no caso) muito a sério. E depois, com tantas demonstrações de amor e homenagens que povoaram o Facebook, com tanta gente conseguindo replicar a simplicidade e a alegria com que ele via (e vivia) a vida, as coisas foram ficando coloridas de novo. E a gente segue, não mais triste pelo que deixou de ter podido ser, mas feliz de ter tido a chance de conhecer uma pessoa tão especial, feliz por ele ter conseguido tocar tantas pessoas, e feliz de que ele agora esteja seguido seu caminho.
E pra garantir essa leveza de espírito, de lá pra cá, sem eu ter pedido nada ou feito por merecer grandes coisas, muitas alegrias vieram me surpreender. Ganhamos uma adição maravilhosa na nossa pequena amostra de família, com a chegada da Sandra. Fomos fazer piquenique e churrasco no parque pra estreiar o presente de aniversário do Tiago (uma churrasqueira portátil fofa). Recebi um convite inesperadamente inesperado de para ser uma invited speaker numa conferência internacional sobre o uso de 3D na ciência (por causa de um artigo que eu publiquei sobre modelagem 3D das vértebras da cauda de um lagarto) e nem sei se vou ou não (porque é em Bangkok!) mas só por ter sido convidada já fiquei vibrosa e dançarilante.
Também resolvi dar um rumo ao meu recém adquirido tempo livre (agora que estou nesse trabalho com horários bonitinhos e regradinhos) e anunciei meus dotes a não uma, não duas, mas três oportunidades de voluntariado (é, tempo livre pra que? hahaha). Dois ainda estão sambando nas papeladas e burocracias, mas fui aceita logo de caras pro Vancouver Aquarium, que é nada mais nada menos do que a instituição mais fofa-linda-amada que eu já visitei. Eles são o único aquario a ter um compromisso aberto (e mantido há décadas) de nunca aprisionar animais livres para o simples benefício da indústria do entretenimento. Eles são uma instituição de reabilitação de animais feridos ou debilitados, e os animais que estão em exibição são justamente os que estão em recuperação. Ficou bom, solta na natureza! Os únicos que moram lá são os que não têm condições de serem reabilitados integralmente (uma lontra cega e outra sem as patas, dois golfinhos mutilados, etc). E eles ainda promovem várias iniciativas de conscientização do público, são mega engajados em raciclagem e preservação e também são um grande centro de pesquisa de mamíferos marinhos. Ou seja, é muito amor, gente! Muito amor!!!
Só pra terminar de espremer coisas na minha rotina, ainda arrumei uns bicos de pet sitter. Esta semana vou cuidar de 4 ratazanas de estimação, huahuahua. Mas são fofas, tá? E ainda vai me descolar mais uns troquinhos. A dona vai viajar e eu vou passar na casa dela (aqui perto da minha) duas vezes por dia pra cuidas dos bichinhos, hehe.
E o que mais? Bom, também estou me dedicando às minhas experiências jardinísticas, e tá tudo indo so far so good! Meu pézinho de manjericão desgringolou e não para de crescer ad infinitum, então fiz mudinhas pra oferecer aos vizinhos, nas latinhas de patê dos gatos, e deixei no hall de entrada com recadinhos fofos. Foi um sucesso, todo mundo adorou! Também plantei cenouras que espero colher em pouco mais de 1 mês! E meu coentro virou flor (nem sei o que fazer com ele agora... tenho dó de comer as flores, hahaha) e as abelhas estão vindo visitar e deixando os gatos loucos. Até o alecrim preguiçoso está começando a se manifestar...
E o Chuchu? Tadinho, agora que eu saí do Câmbio, ficou tudo em cima dele, então basicamente todo o tempo em que ele não está na faculdade, ele está lá trabalhando: Nunca mais teve um dia livre sequer... E ainda chega em casa e vira a noite fazendo trabalhos pra faculdade. E ainda estuda no metrô a caminho do trabalho! Guerreiro...
Mas vamos levando, vamos conquistando nosso espaço aqui! E agora me despeço que vou lá visitar meus baby-ratos e depois acho que vamos jantar fora, pra dar uma animada na rotina maluca do Tiago. Deixo com vocês mais umas fotos de lambuja!
As aventuras de dois gatinhos de rua Brasileiros (e seus donos) em terras Canadenses
As aventuras de dois gatinhos vira-latas Brasileiros em terras Canadenses
Sunday, August 30, 2015
Sunday, August 9, 2015
Celebrations (ou Scrunchens pra que é da família): Aniversário do Tiago, dia dos pais e mais motivos pra comemorar!
Alôu, amados!
Voltei exatamente uma semaninha depois, viu só? Mais pontual que a rainha da inglaterra, mais constante que o zumbido da geladeira, mais previsível que as piadas do Faustão: Essa sou eu, agora que eu tenho um horário bonitinho e regradinho. Fim de semana tranquilo, de boas, com tempo de sobra pra limpar a casa e a alma e ainda vir aqui contar a nouvelles.
Estamos em clima de festa, de comemorar e re-comemorar, e re-come-come-morar, o aniversário do Chu: Na Sexta, com hamburguer depois do trabalho com os coleguinhas-fofos-e-super-divertidos da faculdade dele (a máfia chinesa, como ele costuma brincar, porque curiosamente a patotinha dele é integralmente composta por chineses mesmo), no Sábado os mesmo amigos (ou seriam outros? TCHA-RAM?! Nunca vamos saber...) vieram aqui em casa pra um bolo (que uma das amigas-fofas encomendou) e uns brigadeiros que eu fiz pra mostrar pra eles como se comemora aniversário na Be-erre-lândia. O granulado de chocolate não é comum aqui, e um micro potinho (do tamanho daqueles de rolo de filme... nossa muito retrô esse comentário, mas ok, vocês são velhos também, sabem do que eu tô falando) custa mais de 3 doletas no supermercado... Mas eu, que sou criança viajada e manjada das coisas, que tenho amigos no facebook dos 4 cantos do mundo, sabia que os holandeses comem granulado de chocolate no pão com manteiga de café da manhã (não, nunca tive coragem de experimentar... Alan, faça as honras e depois me conta, hahaha), então fui na Delicatessem holandesa que tem aqui na vizinhança e consegui um sacão de granulado todo chique, de chocolate holandês, por $2.55! E hoje ainda vai ter mais comemorações, e um Skype com a família Cotrim, pra abrir um mega presentão que foi entregue aqui em casa e não foi aberto ainda por motivos de sai-correndo-pra-ir-trabalhar.
Hoje também é dia dos pais... Pra gente, é dia-dos-pais-sem-pais (que nem foi no dia das mães...), é dia de sentir a saudade um pouquinho mais forte, mas de sentir a gratidão muito, muito mais forte. É dia de usar a tecnologia pra dobrar a distância, e de Facebookar e Skypar pra substituir um abraço... Enfim, é dia de comemorar feliz-triste-com-muita-saudade!
Mas ainda temos mais motivos pra comemorar (porque nunca é demais): Amanhã fazemos 4 meses de Canadá! E mais um, mais um: Em menos de 10 dias teremos família aqui (Sandrinha)!
E nessa uma semana de ausência rolou mais alguma coisa? Rolou! Teve Pride Parade e piquenique com a patotinha chinesa. Foi um dia muito divertido e colorido e feliz, e é muito bacana ver como aqui TODAS as empresas estão lá mostrando seu apoio. Essa galerinha boicotadora de Boticário ia ter que se enfiar num buraco e deixar de existir se fosse aqui... Esquece abrir conta no banco, nada de assinar TV a cabo ou ouvir rádio, fazer compras no supermercado também ia ficar difícil, então melhor plantar sua própria comida (e seu próprio papel higiênico já agora), não pode comprar roupas nem cosméticos também, e na verdade, melhor mudar de país, já que o governo em si é um grande apoiador da causa.
Também teve feriado na praia (pra mim, porque o Tiago ainda tá no esquema de trabalhar todo bendito santo dia faça chuva ou faça feriado). E teve Richmond Night Market: Um mercadão chines a céu aberto, com barraquinhas de bugingangas e tranqueiras (canetas, meias, capinhas de celular, garrafas térmicas, cílios postiços... Enfim, Uruguaiana feelings) e muitas barraquinhas de comidas chinesas (algumas bem óbvias, mas algumas praticamente indecifráveis). Tiago se apaixonou por um espetinho de ovos de codorna empanados e já está planejando voltar lá, dessa vez com os colegas de turma, que por incrível que pareça, nunca foram no mercado chinês, hehehe.
Bom, acho que de novidades novas é só isso, mas me foi lembrado uma novidade velha (velhidade?) que eu acabei não contando: O memorável caso do Ukulele da discórdia!
Foi há um tempinho já, logo que começamos a ter um mínimo de estabilidade nos nossos paychecks e passamos a colocar dinheiro na poupança em vez de tirar dela (mas vejam bem, que fique aqui bem claro: o que quer que a gente consiga poupar, qualquer centavinho, é pra pagar o curso do Tiago, que a cada 3 meses faz um belo rombo nas nossas finaças). Pois bem, a gente ainda na vida austera de não gastar com nada que não fosse prioridade, nem cortinas tínhamos no quarto e eu, acordando todo dia às 6 da manhã com o sol vazando pelas persianas, mas tudo bem: Prioridades primeiro! Aí me chega o Benedito em casa um belo dia, com cara de cachorro que comeu a correspondência e já da porta vai falando "Chu, não briga comigo"... Ãhn, criatura, desembucha, que que você aprontou?... Aí ele saca das costas um Ukulele. Quê? Tipo, como assim? Um Ukulele? Que espécie de prioridade é essa? Mas ok, talvez não tenha sido tão caro, uma vez eu vi uns numa loja por 30 dólares, talvez até estivesse com algum desconto e... "Sim, estava com desconto, praticamente imperdível"... Ah, ok, então não é tão grav... "Foi só 160 dólares". Insira aqui aquele meme cuspindo os sucrilhos. VOCÊ. COMPROU. UM. UKULELE. DE. CENTOOOO. E. SESEEEENTA. DÓLARES???!! D8
Acho que é auto-explicativo o porque de ter sido batizado de Ukulele da discórdia, hahaha. Não sei o que me chocou mais, o gasto surreal pra nossa realidade financeira ou a aleatoriedade de um belo dia tró-ló-ló passei ali na loja e comprei um Ukulele! Mas tudo isso é tão Tiago que acho que eu nem posso reclamar muito (I knew what I was marrying into...) e é muito a minha mãe também (Eu ouvi alguém aí no fundo gritando Freud?) então eu já deveria estar acostumada, hehehe. E depois de uma semana indo dormir (revoltada) embalada ao som de Somewhere Over the Rainbow (e acordando no escuro, porque, né, depois dessa palhaçada eu fui no dia seguinte e comprei as malditas cortinas - mas usadas, num yard sale, porque mesmo vingativa eu sou econômica, hahaha) eu acabei perdoando a extravagância chuchuzesca e hoje é só uma história divertida pra contar. E hoje temos música e cortinas e o chuchu está feliz e contente ukulelando pela vida!
E com isso me despeço, e deixo um beijo especial pros papais e vovôs! Que o dia de vocês seja (tenha sido, sei lá, maldito fuso-horário) muito lindo e feliz!
E aqui vão mais fotos que ficam péssimas aqui nesse blog, mas tudo bem, hehe:
Voltei exatamente uma semaninha depois, viu só? Mais pontual que a rainha da inglaterra, mais constante que o zumbido da geladeira, mais previsível que as piadas do Faustão: Essa sou eu, agora que eu tenho um horário bonitinho e regradinho. Fim de semana tranquilo, de boas, com tempo de sobra pra limpar a casa e a alma e ainda vir aqui contar a nouvelles.
Estamos em clima de festa, de comemorar e re-comemorar, e re-come-come-morar, o aniversário do Chu: Na Sexta, com hamburguer depois do trabalho com os coleguinhas-fofos-e-super-divertidos da faculdade dele (a máfia chinesa, como ele costuma brincar, porque curiosamente a patotinha dele é integralmente composta por chineses mesmo), no Sábado os mesmo amigos (ou seriam outros? TCHA-RAM?! Nunca vamos saber...) vieram aqui em casa pra um bolo (que uma das amigas-fofas encomendou) e uns brigadeiros que eu fiz pra mostrar pra eles como se comemora aniversário na Be-erre-lândia. O granulado de chocolate não é comum aqui, e um micro potinho (do tamanho daqueles de rolo de filme... nossa muito retrô esse comentário, mas ok, vocês são velhos também, sabem do que eu tô falando) custa mais de 3 doletas no supermercado... Mas eu, que sou criança viajada e manjada das coisas, que tenho amigos no facebook dos 4 cantos do mundo, sabia que os holandeses comem granulado de chocolate no pão com manteiga de café da manhã (não, nunca tive coragem de experimentar... Alan, faça as honras e depois me conta, hahaha), então fui na Delicatessem holandesa que tem aqui na vizinhança e consegui um sacão de granulado todo chique, de chocolate holandês, por $2.55! E hoje ainda vai ter mais comemorações, e um Skype com a família Cotrim, pra abrir um mega presentão que foi entregue aqui em casa e não foi aberto ainda por motivos de sai-correndo-pra-ir-trabalhar.
Hoje também é dia dos pais... Pra gente, é dia-dos-pais-sem-pais (que nem foi no dia das mães...), é dia de sentir a saudade um pouquinho mais forte, mas de sentir a gratidão muito, muito mais forte. É dia de usar a tecnologia pra dobrar a distância, e de Facebookar e Skypar pra substituir um abraço... Enfim, é dia de comemorar feliz-triste-com-muita-saudade!
Mas ainda temos mais motivos pra comemorar (porque nunca é demais): Amanhã fazemos 4 meses de Canadá! E mais um, mais um: Em menos de 10 dias teremos família aqui (Sandrinha)!
E nessa uma semana de ausência rolou mais alguma coisa? Rolou! Teve Pride Parade e piquenique com a patotinha chinesa. Foi um dia muito divertido e colorido e feliz, e é muito bacana ver como aqui TODAS as empresas estão lá mostrando seu apoio. Essa galerinha boicotadora de Boticário ia ter que se enfiar num buraco e deixar de existir se fosse aqui... Esquece abrir conta no banco, nada de assinar TV a cabo ou ouvir rádio, fazer compras no supermercado também ia ficar difícil, então melhor plantar sua própria comida (e seu próprio papel higiênico já agora), não pode comprar roupas nem cosméticos também, e na verdade, melhor mudar de país, já que o governo em si é um grande apoiador da causa.
Também teve feriado na praia (pra mim, porque o Tiago ainda tá no esquema de trabalhar todo bendito santo dia faça chuva ou faça feriado). E teve Richmond Night Market: Um mercadão chines a céu aberto, com barraquinhas de bugingangas e tranqueiras (canetas, meias, capinhas de celular, garrafas térmicas, cílios postiços... Enfim, Uruguaiana feelings) e muitas barraquinhas de comidas chinesas (algumas bem óbvias, mas algumas praticamente indecifráveis). Tiago se apaixonou por um espetinho de ovos de codorna empanados e já está planejando voltar lá, dessa vez com os colegas de turma, que por incrível que pareça, nunca foram no mercado chinês, hehehe.
Bom, acho que de novidades novas é só isso, mas me foi lembrado uma novidade velha (velhidade?) que eu acabei não contando: O memorável caso do Ukulele da discórdia!
Foi há um tempinho já, logo que começamos a ter um mínimo de estabilidade nos nossos paychecks e passamos a colocar dinheiro na poupança em vez de tirar dela (mas vejam bem, que fique aqui bem claro: o que quer que a gente consiga poupar, qualquer centavinho, é pra pagar o curso do Tiago, que a cada 3 meses faz um belo rombo nas nossas finaças). Pois bem, a gente ainda na vida austera de não gastar com nada que não fosse prioridade, nem cortinas tínhamos no quarto e eu, acordando todo dia às 6 da manhã com o sol vazando pelas persianas, mas tudo bem: Prioridades primeiro! Aí me chega o Benedito em casa um belo dia, com cara de cachorro que comeu a correspondência e já da porta vai falando "Chu, não briga comigo"... Ãhn, criatura, desembucha, que que você aprontou?... Aí ele saca das costas um Ukulele. Quê? Tipo, como assim? Um Ukulele? Que espécie de prioridade é essa? Mas ok, talvez não tenha sido tão caro, uma vez eu vi uns numa loja por 30 dólares, talvez até estivesse com algum desconto e... "Sim, estava com desconto, praticamente imperdível"... Ah, ok, então não é tão grav... "Foi só 160 dólares". Insira aqui aquele meme cuspindo os sucrilhos. VOCÊ. COMPROU. UM. UKULELE. DE. CENTOOOO. E. SESEEEENTA. DÓLARES???!! D8
Acho que é auto-explicativo o porque de ter sido batizado de Ukulele da discórdia, hahaha. Não sei o que me chocou mais, o gasto surreal pra nossa realidade financeira ou a aleatoriedade de um belo dia tró-ló-ló passei ali na loja e comprei um Ukulele! Mas tudo isso é tão Tiago que acho que eu nem posso reclamar muito (I knew what I was marrying into...) e é muito a minha mãe também (Eu ouvi alguém aí no fundo gritando Freud?) então eu já deveria estar acostumada, hehehe. E depois de uma semana indo dormir (
E com isso me despeço, e deixo um beijo especial pros papais e vovôs! Que o dia de vocês seja (tenha sido, sei lá, maldito fuso-horário) muito lindo e feliz!
E aqui vão mais fotos que ficam péssimas aqui nesse blog, mas tudo bem, hehe:
Sunday, August 2, 2015
Entre novidades e detalhes
Eeeeeeee.... Temos um novo recorde!!! Quase um mês sem escrever!
Mas na verdade na verdade mesmo eu escrevi, só que o post foi censurado pela acessoria de imprensa e relações públicas (Tiago). É que nesse quase-mês de ausência muita coisa rolou, e nem tudo seria bom colocar aqui, nessa vastidão indomada da internet, onde tudo, cedo ou tarde, acaba chegando em todo mundo, e as barreiras linguísticas caem com dois cliques no translator...
Bom, mas agora que já está tudo assentado (estou num novo emprego, ADORANDO, e disse bye-bye pro câmbio e pra Sears, and let's leave it like that), voltei aqui pra comer pelas beiradas e contar algumas amenidades do que tem colorido nossos dias por aqui.
Vamos voltar à maluquice dos meus ex-dias de jornadas duplas e insanas, de trabalhar de segunda a segunda e vencer a barreira do sono nas mais de 50 horas semanais nos meu dois part-time-só-que-não jobs (dias esses que ficaram pra trás - Aleluia, irmãos! - pois estou operando agora no esquema segunda-a-sexta-nove-às-cinco kind of thing). Mas bem, ainda no meio daquela correria, inventamos de convidar os amigos da Tia Sophie, que são uns amores e super receberam a gente quando viemos visitar em Dezembro, com direito a passeios turísticos na montanha nevada e jantar em casa e tudo o mais. Queríamos retribuir a gentileza, então convidei eles pra virem aqui num domingo, para um jantar português (com direito a muitas dicas e instruções whatsappianas do nosso consultor gastronômico particular: Papai!).
Fui adiantando os preparativos ao longo da semana inteira (pra fraccionar o trabalho, hehehe), fazendo as compras, dessalgando e desfiando o bacalhau, preparando o refogado, etc etc. Tudo certo, tudo fuindo...... Maaaas, dois dias antes da data marcada, me ocorreu uma coisa engraçada: Só tínhamos 2 cadeiras, hahahaha. Naquela nossa jornada de coletar mobília de graça, isso foi o que conseguimos, e havendo apenas duas bundas pra sentar em casa, deixamos por isso mesmo. Até quando o padre veio jantar conseguimos dar uma improvizex, e eu sentei na cadeira do computador, mas e agora que seríamos 4 pessoas, #comofaz? Sai correndo pra olhar no craigslist de novo mais cadeiras de graça, mas em algum lugar que fosse de fácil acesso (porque se tivesse que alugar o caminhão de novo só pelas cadeiras, a parte do "de graça" perderia todo o sentido, né). E aí lá vem o Tiago, depois do trabalho, com 2 cadeiras de ferro dourado, no metrô. E nossa decoração-de-retalhos fica cada dia mais "diversificada", hahaha. Duas cadeiras de cada tipo... Esse é o charme!
Outro charme do qual estou me orgulhando muito é minha plantação de ervinhas que está de vento em popa (menos um alecrim preguiçoso que está demorando uma eternidade pra nascer... Aliás, mó caô a musiquinha infantil do alecrim que nasceu no bosque sem ser semeado. Esse aqui eu semeei pra caramba, várias dezenas de sementes, adubei, reguei todo santo dia, dei todo meu amor e carinho e só me nasceram 4 brotinhos microscópicos em mais de um mês de esforços!)
Tiago concluiu o primeiro período da faculdade com muitos louvores e notas de dar inveja até nos asiáticos da turma (Asians!) e já partiu pro segundo período com apenas uma semana de intervalo (digo intervalo e não férias porque essa semana foi inteiramente dedicada ao trabalho, hehehe). Curso intensivo boladão, mas afnal, o que não é intensivo na nossa vida? Hahahaha! Mas deu pra ter um diazinho de folga e consegui arrastar ele pra piscina. Pasmem!
E já estamos também na contagem regressiva pra receber a Sandra (pra quem não é das ramílias, Sandra é a irmã do Tiago, que se animou com a nossa aventura e está vindo juntar-se aos bons! Inspirem-se no exemplo dela. Venham!) Vai ser muito bom ter uma gotinha de família aqui pra dividir nossa rotina. Tudo a gente pensa "Ah, vamos deixar isso pra fazer quando a Sandrinha estiver aqui" ou "Ih, esses waffles não vão durar até a Sandra chegar, já temos que providenciar mais". Compramos cobertores e talheres (se com 2 pessoas já era bem irritante ter só 4 de cada talher, com o crescimento populacional de 50% ia ficar impraticável! hahaha) e agora é só aguentar mais um pouquinho pra receber ela no nosso caos particular! Prepare-se, Sandrinha, porque nós já estamos mais que preparados!
E agora vou lá tentar resgatar o Tiago de um coma que já dura quase 12 horas (que ele chama de "dormir") e aproveitar esse domingo em que nós dois estamos de folga. Acho que vai rolar piquenique na praia com os amigos da faculdade dele, e também vamos prestigiar a Pride Parade. Vai ser um dia divertido! Depois eu conto... Ah, e amanhã é feriado, e eu não trabalho!!! Dois dias de folga seguidos, alguém me belisca! (Não, Chu, eu não quis dizer literalmente)
Beijos em quem fica que agora eu já fui! Love you all!
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| Cadeiras! |
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| Tiago "na piscina" |
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| Minha safra 100% orgânica! |
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| E o alecrim preguiçoso... |
Tuesday, July 7, 2015
Canadando
Vocês sabem que ainda amo vocês né? Só não "apareço" mais por falta de tempo mesmo...
Mas hoje só trabalhei de manhã, e agora, depois de chegar em casa, improvisar um almocinho rápido, enfrentar bravamente uma pilha vergonhosamente grande de louça acumulada (fica mais vergonhoso se você levar em conta que só temos 4 de cada coisa - 4 pratos, 4 copos, 4 bowls, 4 garfos, etc etc... e ainda assim tem louça suja pelos 4 cantos da casa!) e despachar mais algumas tarefas domésticas pendentes, acho que mereci a oportunidade de vir aqui dar 3 dedos de prosa procês!
Então... Que que tem rolado por aqui? Teve Canada Day, 1st of July! Foi comemorado como deve ser: Com programa de índio (ou no caso aqui seria programa de First Nations, huahuahua) pra nunca mais voltar! Mas, ok, ainda somos turistas, ainda temos que marcar presença em todas as furadas antes de podermos esnobar as turistagens... Nós tivemos que trabalhar nesse dia (pra variar, hehe) mas não queríamos deixar passar em branco (e vermelho) nosso primeiro Canada Day canadense, então inventamos de arrumar algum programa pra depois do trabalho. O sogrinho compartilhou uma lista infinita de bacanosidades que estariam acontecendo pela cidade inteira nesse dia, e scrollamos (por 17 horas) até achar alguma coisa que funcionasse no nosso schedule de trabalhadores-imigrantes-enlouquecidos. A maioria das atrações acabava cedo ou era longe do nosso trabalho, então, menos por opção do que por falta de, decidimos ir para o Canada Place (afinal, nada mais apropriado do que celebrar o Canada Day no Canada Place) ver os fogos de artifício que (sic) encheriam o céu no aniversário do país. Meu trabalho acabou às 4, mas o Chuchu ainda iria continuar até as 7 na labuta, então fui pegar uma prainha exxxperta (de novo no lindo lindo lindo Stanley Park) enquanto esperava ele sair, e depois disso nós dois ainda teríamos que matar umas quantas horas até o insistente sol de verão dar lugar para os fogos... Aí, eu morta de fome pela praia, ele pelo trabalho, fomos "Canadar" mais ainda e finalmente experimentar a hamburgueria mais recomendada pelos locais: o White Spot! Comemos até rolar (e assinamos em baixo de todas as recomendações que recebemos) empurrando tudo pra baixo com jarras e mais jarras de iced tea (Oi? Alguém falou diurético? :/ ) e aí fomos andando para o Canada Place, passando, no caminho, por um desfile (parade) meio aleatório mas ok, hehehe. Chegando lá, ainda faltando 1 hora e meia pro espetáculo, já encontramos um rebanho infinito de pessoas, pessoas, pessoas por todos os lados. E mais um pouco de pessoas. Não dava pra andar, não dava pra respirar, não dava pra fazer nada. E o iced tea? Explodindo minha bexiga! Achamos um guardinha, mais zuretado que bispo em baile funk, e perguntamos onde teria um banheiro público... Não teria. Simples assim. Pode isso, Bial? Planejam os fogos de artifício, planejam os horários dos transportes, planejam bandeirinhas e hino e a porra toda, mas nenhum infeliz se lembrou de que as pessoas eventualmente precisariam tirar água do joelho? Nem pra colocar aquelas cabines horrendas de plástico e química? Come on, Vancouver, you can do better.... Mas tudo bem, né, porque tem uma praça de alimentação no metro alí em frente, né? Nooops! Fechada! Aparentemente ninguém queria faturar uns trocados abrindo as portas para as 172839193743621 pessoas que vieram prestigiar essa palhaçada. A solução? Um Tim Hortons, o único comércio aberto nas redondezas, que caridosamente disponibilizou seus 2 míseros (mas incrivelmente limpos) banheiros para a fila de 3 quilometros de pessoas apertadas. E foi assim que gastamos a hora e meia até os fogos de artifício, saltitando na fila do banheiro do Tim Hortons... E tudo isso pra quê? Pra uns foguinhos mequetrefes, disparados lá de antes do Judas ter sequer comprado as botas, do outro lado da bahia, e tão baixinhos e pessoas como eu, menos avantajadas em centímetros, só conseguiam ver as pontinhas dos fogos surgindo no horizinte de cabeças. Pra quem já foi a um Reveillon em Copacabana, em que o céu inteiro explode de cor, e você olha pra cima (e não pra frente!) e fica embasbacado, o daqui... Meh... Hardly impressive, I must say (Em tempo: Não que o Ano Novo em Copa seja menos farofado ou muvucado, muito pelo contrário, ainda conta com bêbados dando vexame, assaltos e arrastões - e no desse ano, acredito que introduzirão a novidade do momento, as facadas aleatórias - lixo pelo chão e muito, muuuuito suor.... Mas quanto à beleza e wow-factor, Copacabana 1 x 0 Vancouver). Depois dessa roubada, e sem querer repetir o episódio Tim Hortons na hora de pegar o metrô, saímos na metade da foguetice, e fomos é dormir, que é o que se faz de melhor, hehehe. Pelo menos a praia valeu à pena! ;P
Mas nem tudo são eventos frustrados: Também teve muita coisa boa acontecendo por aqui! Este fim de semana fomos visitar (e finalmente conhecer em pessoa) a Tia Sophie (que não é tia, na verdade, mas prima "adistantada" por parte do meu avô, e filha da melhor amiga da minha avó, mas que eu resolvi chamar de tia pra simplificar a vida de todos e para o bem geral da nação). Ela mora em Victoria, que fica em Vancouver Island (onde, oddly enough, não fica Vancouver - Just google it!) e o caminho até lá já foi em si uma bela (literalmente, muito bela) aventura: 1h10 de ônibus e metrô até chegar ao terminal de barcas de Tsawwassen (quem conseguir pronunciar certo ganha um doce) e de lá mais 1h30 de barca. Ou deveria dizer, de cruzeiro? Porque, maaaano, sério! Que que era aquela barca. Meus caros usuários das Barcas SA, redefinam seus conceitos: Por acaso o formato da barca, por fora, é igualzinho ao das Rio-Niterói, mas quando a gente vai chegando perto percebe que ou a gente foi encolhendo no caminho, ou a barca é absurdamente gigante. Quer ter uma leve idéia de quão grande? Pense 7 andares de barca. Pense vários restaurantes, cafés, lanchonetes, buffets, praça de alimentação. Pense em lojas de roupa e de souvenirs. Pense em áreas para trabalho, com mesas para computador com tomadas e tudo o mais. Pense em áreas para crianças, com parquinhos, escorrega, flipper (Sim, tem um fucking flipper dentro da barca). Entendeu agora né? Cooooolll! Ah, e a vista também era linda, hehehe.
Mas tá, me empolguei com a barca, voltando à visita à tia Sophie: Ela é ótima!!! (sim, melhor que a barca, huahuahua) Mas falando sério, ela é muuuuuito fofa, muuuuito legal mesmo! Ela e a família inteira, na verdade! E vocês não podem imaginar como ficamos quentinhos por dentro de encontrar aqui, "do outro lado do mundo", no lugar onde viemos desbravar sozinhos e des-familiados, uma família tão linda!!! Fomos recebidos na saída do "Titanic", já com um abraço apertado e muita conversa, fizemos um mini-tour até a casa dela, onde nos esperava um gostinho Português, com mesa cheia, de família, de conversa e de, claro, bacalhau e vinho! Passamos uma evening mais que agradável, e fechamos a noite assistindo as animações da "prima" artista Iris (vale a pena dar uma procurada no Google ou YouTube por Iris Moore e ver a beleza que é a cabeça fértil de uma artista traduzida em desenhos, cadências e música. Sim, tudo obra de um único ser... Single handed... Impressionante). Aliás, ela vai estar exibindo essas animações no Festival do Rio deste ano! Eu só tive a sorte de ter uma premiere com a diretora/executora/produtora/nãoseicomosechamaquemfaztudonumfilme... Bom, no dia seguinte tivemos um brunch especial: chá e panquecas (viu, mãe, tô em casa praticamente! Chá com panquecas = <3). Mas mãe, tenho que confessar... Sinto muito... Mas essas foram as melhores panquecas que já comi na vida (Sem brincadeira, Tiago concordou! Peguei a receita, Tia Marcia!) Que IHOP que nada!!! As panquecas do Michael - marido da tia Sophie - são a perfeição em forma de comida. Já coloquei fermento na lista de compras e em breve tentarei reproduzir o sucesso aqui em casa (aguardem fotos ou de desastres na cozinha, ou de um café da manhã pra deixar vocês todos com inveja). No café da manhã também conhecemos os outros dois "primos" e lá ficamos nós mais horas e horas na mesa, repetindo o chá e conversando muito (o "tio" Michael, além de panquequeiro-mágico, é uma das pessoas mais interessantes com quem conversei ultimamente, com mais histórias pra contar do que cabe num café da manhã - mesmo dos mais longos, hehehe - me lembrou do vovô e dos domingos também sempre em volta da mesa, nas conversas e café-de-alquimista).
E como se já não estivesse mais que bom (e já estava), ainda ganhamos um passeio incrível com a incansável tia Sophie (que na verdade deve ter se cansado mesmo, mas foi uma fofa e andou conosco pela cidade inteira mostrando os principais pontos turísticos). Fomos na mais antiga chinatown do Canadá, e nos embrenhamos nuns becos muito (MUITO) estreitos com cheiros e cores engraçados (#harrypotterfeelings) e num desses becos descobrimos um Flea Market onde um grupo de cordas tocava musica clássica ao vivo, vestidos de roupas barrocas. Tem como ser mais mágico?! Só se tivessem dragões cuspindo algodão-doce em cima da gente... Num ato heróico resisti bravamente a comprar todos os irresistíveis cacarecos inúteis que se vende nesses lugares (fora um ou outro, mas eram tããããão baratos!!! D:) e continuamos o passeio. Museu (só por fora dessa vez, a visita foi muito curta... quem sabe na próxima), hotel, canal, parlamento, tudo muito lindo! Também passeamos pelo centro, ruas com cara de europa, lojinhas, prédios... Lindo, lindo. Espero voltar mais vezes...
Depois, mais um almoço/jantar em família, mas dessa vez sem tempo de prolongar as conversas ad infinitum... Uma pena. Nosso cruzeiro 5 estrelas nos esperava pra voltar pra vida real depois da curta mas muito bem aproveitada escapulida.
E agora já gastei toda a minha tarde de folga (e possivelmente toda a paciência de vocês, hehehe) então me despeço por aqui. Tentarei voltar em breve (mas falharei miseravelmente, como sempre, hahaha, então até daqui a duas semanas, marromenos...) Deixo aqui umas fotos pra vocês sentirem o clima do nosso fim de semana mágico. Beijos!!!
Mas hoje só trabalhei de manhã, e agora, depois de chegar em casa, improvisar um almocinho rápido, enfrentar bravamente uma pilha vergonhosamente grande de louça acumulada (fica mais vergonhoso se você levar em conta que só temos 4 de cada coisa - 4 pratos, 4 copos, 4 bowls, 4 garfos, etc etc... e ainda assim tem louça suja pelos 4 cantos da casa!) e despachar mais algumas tarefas domésticas pendentes, acho que mereci a oportunidade de vir aqui dar 3 dedos de prosa procês!
Então... Que que tem rolado por aqui? Teve Canada Day, 1st of July! Foi comemorado como deve ser: Com programa de índio (ou no caso aqui seria programa de First Nations, huahuahua) pra nunca mais voltar! Mas, ok, ainda somos turistas, ainda temos que marcar presença em todas as furadas antes de podermos esnobar as turistagens... Nós tivemos que trabalhar nesse dia (pra variar, hehe) mas não queríamos deixar passar em branco (e vermelho) nosso primeiro Canada Day canadense, então inventamos de arrumar algum programa pra depois do trabalho. O sogrinho compartilhou uma lista infinita de bacanosidades que estariam acontecendo pela cidade inteira nesse dia, e scrollamos (por 17 horas) até achar alguma coisa que funcionasse no nosso schedule de trabalhadores-imigrantes-enlouquecidos. A maioria das atrações acabava cedo ou era longe do nosso trabalho, então, menos por opção do que por falta de, decidimos ir para o Canada Place (afinal, nada mais apropriado do que celebrar o Canada Day no Canada Place) ver os fogos de artifício que (sic) encheriam o céu no aniversário do país. Meu trabalho acabou às 4, mas o Chuchu ainda iria continuar até as 7 na labuta, então fui pegar uma prainha exxxperta (de novo no lindo lindo lindo Stanley Park) enquanto esperava ele sair, e depois disso nós dois ainda teríamos que matar umas quantas horas até o insistente sol de verão dar lugar para os fogos... Aí, eu morta de fome pela praia, ele pelo trabalho, fomos "Canadar" mais ainda e finalmente experimentar a hamburgueria mais recomendada pelos locais: o White Spot! Comemos até rolar (e assinamos em baixo de todas as recomendações que recebemos) empurrando tudo pra baixo com jarras e mais jarras de iced tea (Oi? Alguém falou diurético? :/ ) e aí fomos andando para o Canada Place, passando, no caminho, por um desfile (parade) meio aleatório mas ok, hehehe. Chegando lá, ainda faltando 1 hora e meia pro espetáculo, já encontramos um rebanho infinito de pessoas, pessoas, pessoas por todos os lados. E mais um pouco de pessoas. Não dava pra andar, não dava pra respirar, não dava pra fazer nada. E o iced tea? Explodindo minha bexiga! Achamos um guardinha, mais zuretado que bispo em baile funk, e perguntamos onde teria um banheiro público... Não teria. Simples assim. Pode isso, Bial? Planejam os fogos de artifício, planejam os horários dos transportes, planejam bandeirinhas e hino e a porra toda, mas nenhum infeliz se lembrou de que as pessoas eventualmente precisariam tirar água do joelho? Nem pra colocar aquelas cabines horrendas de plástico e química? Come on, Vancouver, you can do better.... Mas tudo bem, né, porque tem uma praça de alimentação no metro alí em frente, né? Nooops! Fechada! Aparentemente ninguém queria faturar uns trocados abrindo as portas para as 172839193743621 pessoas que vieram prestigiar essa palhaçada. A solução? Um Tim Hortons, o único comércio aberto nas redondezas, que caridosamente disponibilizou seus 2 míseros (mas incrivelmente limpos) banheiros para a fila de 3 quilometros de pessoas apertadas. E foi assim que gastamos a hora e meia até os fogos de artifício, saltitando na fila do banheiro do Tim Hortons... E tudo isso pra quê? Pra uns foguinhos mequetrefes, disparados lá de antes do Judas ter sequer comprado as botas, do outro lado da bahia, e tão baixinhos e pessoas como eu, menos avantajadas em centímetros, só conseguiam ver as pontinhas dos fogos surgindo no horizinte de cabeças. Pra quem já foi a um Reveillon em Copacabana, em que o céu inteiro explode de cor, e você olha pra cima (e não pra frente!) e fica embasbacado, o daqui... Meh... Hardly impressive, I must say (Em tempo: Não que o Ano Novo em Copa seja menos farofado ou muvucado, muito pelo contrário, ainda conta com bêbados dando vexame, assaltos e arrastões - e no desse ano, acredito que introduzirão a novidade do momento, as facadas aleatórias - lixo pelo chão e muito, muuuuito suor.... Mas quanto à beleza e wow-factor, Copacabana 1 x 0 Vancouver). Depois dessa roubada, e sem querer repetir o episódio Tim Hortons na hora de pegar o metrô, saímos na metade da foguetice, e fomos é dormir, que é o que se faz de melhor, hehehe. Pelo menos a praia valeu à pena! ;P
Mas nem tudo são eventos frustrados: Também teve muita coisa boa acontecendo por aqui! Este fim de semana fomos visitar (e finalmente conhecer em pessoa) a Tia Sophie (que não é tia, na verdade, mas prima "adistantada" por parte do meu avô, e filha da melhor amiga da minha avó, mas que eu resolvi chamar de tia pra simplificar a vida de todos e para o bem geral da nação). Ela mora em Victoria, que fica em Vancouver Island (onde, oddly enough, não fica Vancouver - Just google it!) e o caminho até lá já foi em si uma bela (literalmente, muito bela) aventura: 1h10 de ônibus e metrô até chegar ao terminal de barcas de Tsawwassen (quem conseguir pronunciar certo ganha um doce) e de lá mais 1h30 de barca. Ou deveria dizer, de cruzeiro? Porque, maaaano, sério! Que que era aquela barca. Meus caros usuários das Barcas SA, redefinam seus conceitos: Por acaso o formato da barca, por fora, é igualzinho ao das Rio-Niterói, mas quando a gente vai chegando perto percebe que ou a gente foi encolhendo no caminho, ou a barca é absurdamente gigante. Quer ter uma leve idéia de quão grande? Pense 7 andares de barca. Pense vários restaurantes, cafés, lanchonetes, buffets, praça de alimentação. Pense em lojas de roupa e de souvenirs. Pense em áreas para trabalho, com mesas para computador com tomadas e tudo o mais. Pense em áreas para crianças, com parquinhos, escorrega, flipper (Sim, tem um fucking flipper dentro da barca). Entendeu agora né? Cooooolll! Ah, e a vista também era linda, hehehe.
Mas tá, me empolguei com a barca, voltando à visita à tia Sophie: Ela é ótima!!! (sim, melhor que a barca, huahuahua) Mas falando sério, ela é muuuuuito fofa, muuuuito legal mesmo! Ela e a família inteira, na verdade! E vocês não podem imaginar como ficamos quentinhos por dentro de encontrar aqui, "do outro lado do mundo", no lugar onde viemos desbravar sozinhos e des-familiados, uma família tão linda!!! Fomos recebidos na saída do "Titanic", já com um abraço apertado e muita conversa, fizemos um mini-tour até a casa dela, onde nos esperava um gostinho Português, com mesa cheia, de família, de conversa e de, claro, bacalhau e vinho! Passamos uma evening mais que agradável, e fechamos a noite assistindo as animações da "prima" artista Iris (vale a pena dar uma procurada no Google ou YouTube por Iris Moore e ver a beleza que é a cabeça fértil de uma artista traduzida em desenhos, cadências e música. Sim, tudo obra de um único ser... Single handed... Impressionante). Aliás, ela vai estar exibindo essas animações no Festival do Rio deste ano! Eu só tive a sorte de ter uma premiere com a diretora/executora/produtora/nãoseicomosechamaquemfaztudonumfilme... Bom, no dia seguinte tivemos um brunch especial: chá e panquecas (viu, mãe, tô em casa praticamente! Chá com panquecas = <3). Mas mãe, tenho que confessar... Sinto muito... Mas essas foram as melhores panquecas que já comi na vida (Sem brincadeira, Tiago concordou! Peguei a receita, Tia Marcia!) Que IHOP que nada!!! As panquecas do Michael - marido da tia Sophie - são a perfeição em forma de comida. Já coloquei fermento na lista de compras e em breve tentarei reproduzir o sucesso aqui em casa (aguardem fotos ou de desastres na cozinha, ou de um café da manhã pra deixar vocês todos com inveja). No café da manhã também conhecemos os outros dois "primos" e lá ficamos nós mais horas e horas na mesa, repetindo o chá e conversando muito (o "tio" Michael, além de panquequeiro-mágico, é uma das pessoas mais interessantes com quem conversei ultimamente, com mais histórias pra contar do que cabe num café da manhã - mesmo dos mais longos, hehehe - me lembrou do vovô e dos domingos também sempre em volta da mesa, nas conversas e café-de-alquimista).
E como se já não estivesse mais que bom (e já estava), ainda ganhamos um passeio incrível com a incansável tia Sophie (que na verdade deve ter se cansado mesmo, mas foi uma fofa e andou conosco pela cidade inteira mostrando os principais pontos turísticos). Fomos na mais antiga chinatown do Canadá, e nos embrenhamos nuns becos muito (MUITO) estreitos com cheiros e cores engraçados (#harrypotterfeelings) e num desses becos descobrimos um Flea Market onde um grupo de cordas tocava musica clássica ao vivo, vestidos de roupas barrocas. Tem como ser mais mágico?! Só se tivessem dragões cuspindo algodão-doce em cima da gente... Num ato heróico resisti bravamente a comprar todos os irresistíveis cacarecos inúteis que se vende nesses lugares (fora um ou outro, mas eram tããããão baratos!!! D:) e continuamos o passeio. Museu (só por fora dessa vez, a visita foi muito curta... quem sabe na próxima), hotel, canal, parlamento, tudo muito lindo! Também passeamos pelo centro, ruas com cara de europa, lojinhas, prédios... Lindo, lindo. Espero voltar mais vezes...
Depois, mais um almoço/jantar em família, mas dessa vez sem tempo de prolongar as conversas ad infinitum... Uma pena. Nosso cruzeiro 5 estrelas nos esperava pra voltar pra vida real depois da curta mas muito bem aproveitada escapulida.
E agora já gastei toda a minha tarde de folga (e possivelmente toda a paciência de vocês, hehehe) então me despeço por aqui. Tentarei voltar em breve (mas falharei miseravelmente, como sempre, hahaha, então até daqui a duas semanas, marromenos...) Deixo aqui umas fotos pra vocês sentirem o clima do nosso fim de semana mágico. Beijos!!!
Monday, June 22, 2015
E se anuncia a rotina
Hey meus fofos! Tudo bom?
Por aqui está tudo tranquilo... Um presságio de rotina se anunciando no horizonte, que até será bem vinda depois de tantas mudanças (literais e figuradas). Acabou mesmo a saga da panqueca-coreana-do-inferno e a vida agora segue bem mais livre, leve e solta (de verdade... por mais exercícios zen que eu praticasse no IHOP, ainda assim era um desgaste constante e diário, então só de ter deixado isso pra trás já tirou uns bons quilos das minhas costas - ou pounds, né, que aqui tem essa palhaçada também, hahaha). O Charlie's (câmbio) está bem animado com meu desempenho, tanto até que estão me pedindo pra trabalhar em todos os horários que eu tiver livres: Ou seja, ainda estou no modo SUPER-ULTRA-MASTER-FULL-TIME, hahaha! Mas como eu falei, só de não ter a pressão dos gritos-coreanos contínuos, está tão mais tranquilo que nem sinto essas horas todas trabalhadas (quanto tempo demora pra passar 20 minutos? Se você tomar 5 esporros nesse intervalo, believe me, vai demorar várias horas, hahaha). Então continuo trabalhando mais de 50 horas toda a semana mas estou achando bem tranquilo até (afinal, no fim de cada dia, por mais longo que seja, sempre tem um cup'a'tea, dois gatinhos cremosos e um chuchu me esperando - não necessariamente em ordem de prioridade... mas quase, hahaha). Acabo não tendo um fim de semana livre, e em alguns casos, como nesta semana, nenhum dia off at all, mas tenho alguns dias bem light - como hoje - em que só trabalho 5 ou 6 horas (em outros dias chego a trabalhar 10 ou 11 horas, haha). Mas estou gostando muito do trabalho no Charlie, o ambiente lá é ótimo, bem família mesmo, eles super acolheram a gente, são muito fofos, e o trabalho em si é bem legal até (poder ver dinheiros do mundo inteiro, e ainda brincar com aquela maquininha boladona que conta as notas pra você! Só diversão, hahaha), e a Sears é ok também, gosto da gerente e dos co-workers e o trabalho é bem basal, no big deal, então também nem sinto o tempo passar (muitas vezes eles tem que vir me avisar que já tá na hora do meu break, ou que já acabou meu shift, hehe). E além disso tem uma bela vantagem em trabalhar tantas horas: Meus paychecks estão vindo mais gordinhos - YAYYY- então já estamos na fase de colocar dinheiro de volta na poupança (que tinha ficado perigosamente magra por motivos de planejamento otimista + azares inesperados e gastos inesperados + somos mimados e não quisemos seguir um orçamento tão espartano quanto eu tinha idealizado, huahuahua).
E fora isso o que tem de novidade? Not much... Estamos nos adaptando à vida aqui, descobrindo onde comprar as coisas com o melhor preço (nossa maior dificuldade: Queijo pro Tiago e frutas pra mim - Mano, como assim 3 dólares em UMA MANGA!!!! Uma! Apenasmente uma única! Assim, tipo, descascou, comeu, cabou... 3 doletas! Me recuso!!!) Mas aos poucos estamos aprendendo onde e quando comprar as frutas (já tenho meu mercado favorito de fazer "feira" mas ainda só compro a fruta que tá na promoção, hehehe... Outro dia era pêssego por 69 centavos o pound: Comprei 3 kilos, comia 2 ou 3 por dia, fazia suco pro Tiago, foi bem bom enquanto durou, haha). Queijo foi mais difícil, até porque a noção de queijo deles aqui é bastante duvidosa. Plástico com corante, eu diria... Serve pra tapear, fazer um grilled cheese no máximo, mas se você quiser queijo de verdade, meu amigo, se prepare pra soltar a verba, que a brincadeira custa caro. Mas aí, um belo dia, fui numa delicatessen holandesa que tem aqui na esquina (que por self preservation instincts nunca tínhamos ido, haha) procurar uns benditos biscoitos que meu irmão supostamente adora, mas que na realidade NÃO EXISTEM, #prontofalei, pra ver se mandava pra ele pela amiga que estava aqui de visita. Claro, não achei os biscoitos-imaginários, mas achei uma bola deliciosamente gigante (sério, do tamanho de uma bola de futebol) de queijo holandês "vencido" (segundo a placa: "Outdated but still good") por um preço inacreditável! Foi meu presente de dia dos namorados pro Chuchu (nothing says "I love you" like a big ball of cheese). E sim, estava (ainda está e provavelmente ainda estará por um bom tempo) still good, so very very good!!!
E só pra fechar aqui com o que deixei suspenso no último post: E a praia? Olha, vou te dizer que adorei! E olha que eu fui pra lá com a maior má-vontade, eu admito. As praias aqui são feias, pra quem cresceu no Rio de Janeiro (eu diria até nasceu, mas nah, sou paulista de nascimento, hehe. Fun fact pra quem não sabia). A areia é grossa e escura, a água também, meio azul-amarronzada, nada convidativa. Feio mesmo, sabe? Mas, descobri algumas vantagens das quais gostei bastante: Essa areia feia e preta não gruda em você. Não gruda mesmo, sério (tinham me falado já, mas não acreditei até ver com meus próprios olhos/pés). A água é geladinha, mas honestamente, eu frequentava a praia da Barra então, nada de novo debaixo do sol... E por falar nele: Ô que delícia que é esse sol infinito até 10 horas da noite. A gente só chegou na praia às 5, e a areia tava morninha, o sol delicioso, na "quentidão" certa, não dá vontade de ir embora nunca, podia ficar deitada lá por horas! Ah, e a praia em que fomos era no Stanley Park, ou seja, fomos caminhando pelo bosque até chegar na praia e pelo caminho encontramos guaxinins, patinhos, castores e uma barraca vendendo cerejas orgânicas! Tem como ser melhor? Vou até botar umas fotos aqui, mas já sabendo que vão ficar uó do borogodó, então quem quiser ver melhor, olhe as que coloquei no facebook, hehehe.
Bom, e por hoje é só, pessoal. Até a próxima! Beijos no coração!!!
Monday, June 15, 2015
Correria
Oi, tchurma! Voltei!
Fiquei duas semanas sem dar as caras por aqui (e já até recebi cobranças de escrever mais! Que fofo!) porque estava numa correria muito louca... Logo no dia seguinte daquele último post, o emprego do Tiago (Charlie's Currency) realmente me chamou pra começar a treinar, mas disseram pra eu não pedir demissão por enquanto, porque eles ainda iam ter que ver se eu seria um good fit na posição, etc, etc, etc. Aí #comofaz? Fica com 3 empregos, né... O Hells Kitchen (IHOP) que ainda não tinha largado, o Sear que já tinha começado, e o Charlie que estava treinando... Para exemplificar minha correria: Uma pessoa que trabalhe part-time em geral faz de 10 a 20 horas por semana. Uma pessoa que tenha um emprego full-time cumpre em torno de 40 horas por semana (de 38 a 42). Uma pessoa desaparafusada das idéias que nem eu que ache normal tentar conciliar 3 empregos faz quantas horas? Nada mais nada menos que 55 horas em uma semana!!! Se juntar a isso os tempos de deslocamento entre um emprego e outro sobra o quê? Uma pilha gigantesca de louça pra lavar, duas semanas de noites mal dormidas e almoçando sanduíche no metrô e uma estranha sensação de não entender direito que dia é hoje! Tcharan! Mas consegui me virar, aguentei as duas semanas, recebi a carta verde do Charlie pra mandar a coreana chupar uma manga, me contive e não mandei, mas pedi demissão simpaticamente, e ela simpaticamente até nem me pediu para cumprir o aviso prévio (que aqui são só duas semanas, mas seriam mais duas semanas de maluquice extrema, hehehe).
Assim, eis que ontem tive meu último shift na Panquecolândia, e agora posso curtir a liberdaaaaaade! Tanta liberdade que hoje até estou de folga e vou aproveitar pra ir pra praia!!! Depois eu conto como foi...
Mas antes, como é que foram essas semanas de trabalho infinito? Conta pros amiguinhos que já estão pensando em desistir: Nãããão, não desistam não! Não vou dizer que foi fácil, supimpex, de boassa... Não foi. Mas foi a morte lenta e sofrível da exaustão suprema? Também não. Não sobrava tempo pra escrever no blog, ok, a casa realmente ficou meio descuidada, ficou (até porque nesse mesmo período o Tiago estava passando pelas provas de meio de semestre - midterms - e também não estava tendo muito tempo livre), o processo culinário que a gente normalmente curte se resumiu a comidas instantâneas e arroz de gororoba... Mas a gente até encontrou umas brechinhas pra curtir a vida aqui e ali (já que nem só de panqueca vive o homem). Consegui um dia inteiro magicamente livre no meio dessas duas semanas (uma segunda feira em que nenhum dos 3 empregos me requisitou) e fui conhecer a piscina pública da vizinhança (Uma delicía! Nada luxuosa, pequena, simples, mas absurdamente bem mantida e no meio, é claro, de um parque lindo e verdejante. Foi o dia zen que eu estava precisando!) Também fomos ver Jurassic Park no cinema, fomos jantar fora cozamigos num restaurante-castelo-presídio (era um antigo presídio, contruído em formato de um castelinho simples, e que agora é um restaurante/pub bem bacaninha e com uma vista espetacular)...
Os amigos, aliás, foram a melhor parte dessas semanas malucas: Teve a Ms Moore, que ficou uns dias aqui em casa, best guest award, segurou as pontas legal, cuidou da nossa bagunça, encarou nossas gororobas de jantar, e ainda foi mega fofa e leu minha alma, me dando o melhor presente que eu poderia querer neste momento: chiquezices para um delicioso banho de banheira que cura pernas cansadas e mal olhado num único e cheiroso mergulho (sim, já estreei, Vanessa!) Também teve o casal-sensacional Ju-Abreu, que vieram, como nós tínhamos vindo em Dezembro, visitar-com-segundas-intenções... Ele eu conhecia (ainda que pouco) e ela foi uma novidade muito bem vinda, adoramos! (agora é torcer para que as intenções deles se concretizem e eles venham ser nossos vizinhos, hehehe) Eles foram também os companheiros de mais algumas escapadas nessa nossa rotina doida, como um fim de tarde, depois de um full-day de Cinderela (pra mim) e de Faculdade (pro Chuchu), passeando no parque e fazendo um piquenique na companhia de patos que vinham pedir migalhas (patos gordos e americanos, porque eu dei fruta pra eles e eles esnobaram, mas comeram uma fatia inteira de bolo e um punhado de batatas fritas), uma visita ao observatório do planetário, pra tentar ob-observar (hipócritas disfarçados rondando ao redor? Não, planetas mesmo) mas aqui nesta latitude o dia custa a ir embora, e ficamos lá até as 10:30 da noite, mas o céu ainda insistia em ser azul-clarinho, e eu já com sono, e o povo já com fome... Aí vimos uns dois planetas meio claros demais e desistimos e voltamos pra casa, hahaha.
Mas resumindo as conversas: Trabalhei feito uma condenada, Tiago virou noites fazendo trabalhos finais e estudando pra provas (que aliás, permitam-me um pequeno parênteses de orgulho matrimonial, ele esta KICKING ASSES na faculdade, tirando as maiores notas da turma, e em alguns casos, da história da faculdade), mas ainda assim, com toda a correria, Life's good! A gente está curtindo muito e aproveitando o que a cidade tem pra oferecer de melhor, e com isso eu percebi uma coisa divertida: Quando a gente veio de férias em Dezembro, uma das coisas que mais nos chamou atenção, e que a gente sempre comentava, é como as pessoas, mesmo nos mais sub dos sub-empregos, sempre pareciam felizes. Lembramos até hoje de uma velhinha latina que nos pediu licensa para limpar a mesa onde estávamos sentados num shopping, e ela falou com a gente com uma alegria e uma simpatia, e ficou cantarolando e dançarolando enquanto limpava a sujeira da mesa. Isso tinha me impressionado muito, especialmente porque não era um caso isolado. Assim como essa senhorinha estava feliz, todos os motoristas de ônibus também estavam, e os pedreiros nas obras do centro, e as atendentes do McDonalds e os guardinhas noturnos, e a moça que limpa os banheiros... E agora que eu percebi que eu sou um deles! Eu sou a mocinha que limpa as mesas do restaurante de café da manhã e eu faço isso cantando Hakuna Matata! Porque? Porque mesmo eu tendo um sub-emprego (ou no caso 3, hahaha), eu aqui sustento um estilo de vida com esse sub-emprego que me permite esses momentos de lazer e alegria durante a semana, eu tenho qualidade de vida e segurança, eu tenho acesso a coisas e serviços de uma maneira planejada, organizada e desburocratizada... Porque nós, como eles, que em sua maioria são também imigrantes, viemos pra cá pra encarar isso mesmo, pra batalhar e fincar a bandeira, e vivemos uma outra realidade em outro contexto e sabemos apreciar as pequenas conquistas da vida... Enfim, porque apesar dos pesares, life really is good!
E agora deixa eu ir que a praia me espera! Love you all!
Fiquei duas semanas sem dar as caras por aqui (e já até recebi cobranças de escrever mais! Que fofo!) porque estava numa correria muito louca... Logo no dia seguinte daquele último post, o emprego do Tiago (Charlie's Currency) realmente me chamou pra começar a treinar, mas disseram pra eu não pedir demissão por enquanto, porque eles ainda iam ter que ver se eu seria um good fit na posição, etc, etc, etc. Aí #comofaz? Fica com 3 empregos, né... O Hells Kitchen (IHOP) que ainda não tinha largado, o Sear que já tinha começado, e o Charlie que estava treinando... Para exemplificar minha correria: Uma pessoa que trabalhe part-time em geral faz de 10 a 20 horas por semana. Uma pessoa que tenha um emprego full-time cumpre em torno de 40 horas por semana (de 38 a 42). Uma pessoa desaparafusada das idéias que nem eu que ache normal tentar conciliar 3 empregos faz quantas horas? Nada mais nada menos que 55 horas em uma semana!!! Se juntar a isso os tempos de deslocamento entre um emprego e outro sobra o quê? Uma pilha gigantesca de louça pra lavar, duas semanas de noites mal dormidas e almoçando sanduíche no metrô e uma estranha sensação de não entender direito que dia é hoje! Tcharan! Mas consegui me virar, aguentei as duas semanas, recebi a carta verde do Charlie pra mandar a coreana chupar uma manga, me contive e não mandei, mas pedi demissão simpaticamente, e ela simpaticamente até nem me pediu para cumprir o aviso prévio (que aqui são só duas semanas, mas seriam mais duas semanas de maluquice extrema, hehehe).
Assim, eis que ontem tive meu último shift na Panquecolândia, e agora posso curtir a liberdaaaaaade! Tanta liberdade que hoje até estou de folga e vou aproveitar pra ir pra praia!!! Depois eu conto como foi...
Mas antes, como é que foram essas semanas de trabalho infinito? Conta pros amiguinhos que já estão pensando em desistir: Nãããão, não desistam não! Não vou dizer que foi fácil, supimpex, de boassa... Não foi. Mas foi a morte lenta e sofrível da exaustão suprema? Também não. Não sobrava tempo pra escrever no blog, ok, a casa realmente ficou meio descuidada, ficou (até porque nesse mesmo período o Tiago estava passando pelas provas de meio de semestre - midterms - e também não estava tendo muito tempo livre), o processo culinário que a gente normalmente curte se resumiu a comidas instantâneas e arroz de gororoba... Mas a gente até encontrou umas brechinhas pra curtir a vida aqui e ali (já que nem só de panqueca vive o homem). Consegui um dia inteiro magicamente livre no meio dessas duas semanas (uma segunda feira em que nenhum dos 3 empregos me requisitou) e fui conhecer a piscina pública da vizinhança (Uma delicía! Nada luxuosa, pequena, simples, mas absurdamente bem mantida e no meio, é claro, de um parque lindo e verdejante. Foi o dia zen que eu estava precisando!) Também fomos ver Jurassic Park no cinema, fomos jantar fora cozamigos num restaurante-castelo-presídio (era um antigo presídio, contruído em formato de um castelinho simples, e que agora é um restaurante/pub bem bacaninha e com uma vista espetacular)...
Os amigos, aliás, foram a melhor parte dessas semanas malucas: Teve a Ms Moore, que ficou uns dias aqui em casa, best guest award, segurou as pontas legal, cuidou da nossa bagunça, encarou nossas gororobas de jantar, e ainda foi mega fofa e leu minha alma, me dando o melhor presente que eu poderia querer neste momento: chiquezices para um delicioso banho de banheira que cura pernas cansadas e mal olhado num único e cheiroso mergulho (sim, já estreei, Vanessa!) Também teve o casal-sensacional Ju-Abreu, que vieram, como nós tínhamos vindo em Dezembro, visitar-com-segundas-intenções... Ele eu conhecia (ainda que pouco) e ela foi uma novidade muito bem vinda, adoramos! (agora é torcer para que as intenções deles se concretizem e eles venham ser nossos vizinhos, hehehe) Eles foram também os companheiros de mais algumas escapadas nessa nossa rotina doida, como um fim de tarde, depois de um full-day de Cinderela (pra mim) e de Faculdade (pro Chuchu), passeando no parque e fazendo um piquenique na companhia de patos que vinham pedir migalhas (patos gordos e americanos, porque eu dei fruta pra eles e eles esnobaram, mas comeram uma fatia inteira de bolo e um punhado de batatas fritas), uma visita ao observatório do planetário, pra tentar ob-observar (hipócritas disfarçados rondando ao redor? Não, planetas mesmo) mas aqui nesta latitude o dia custa a ir embora, e ficamos lá até as 10:30 da noite, mas o céu ainda insistia em ser azul-clarinho, e eu já com sono, e o povo já com fome... Aí vimos uns dois planetas meio claros demais e desistimos e voltamos pra casa, hahaha.
Mas resumindo as conversas: Trabalhei feito uma condenada, Tiago virou noites fazendo trabalhos finais e estudando pra provas (que aliás, permitam-me um pequeno parênteses de orgulho matrimonial, ele esta KICKING ASSES na faculdade, tirando as maiores notas da turma, e em alguns casos, da história da faculdade), mas ainda assim, com toda a correria, Life's good! A gente está curtindo muito e aproveitando o que a cidade tem pra oferecer de melhor, e com isso eu percebi uma coisa divertida: Quando a gente veio de férias em Dezembro, uma das coisas que mais nos chamou atenção, e que a gente sempre comentava, é como as pessoas, mesmo nos mais sub dos sub-empregos, sempre pareciam felizes. Lembramos até hoje de uma velhinha latina que nos pediu licensa para limpar a mesa onde estávamos sentados num shopping, e ela falou com a gente com uma alegria e uma simpatia, e ficou cantarolando e dançarolando enquanto limpava a sujeira da mesa. Isso tinha me impressionado muito, especialmente porque não era um caso isolado. Assim como essa senhorinha estava feliz, todos os motoristas de ônibus também estavam, e os pedreiros nas obras do centro, e as atendentes do McDonalds e os guardinhas noturnos, e a moça que limpa os banheiros... E agora que eu percebi que eu sou um deles! Eu sou a mocinha que limpa as mesas do restaurante de café da manhã e eu faço isso cantando Hakuna Matata! Porque? Porque mesmo eu tendo um sub-emprego (ou no caso 3, hahaha), eu aqui sustento um estilo de vida com esse sub-emprego que me permite esses momentos de lazer e alegria durante a semana, eu tenho qualidade de vida e segurança, eu tenho acesso a coisas e serviços de uma maneira planejada, organizada e desburocratizada... Porque nós, como eles, que em sua maioria são também imigrantes, viemos pra cá pra encarar isso mesmo, pra batalhar e fincar a bandeira, e vivemos uma outra realidade em outro contexto e sabemos apreciar as pequenas conquistas da vida... Enfim, porque apesar dos pesares, life really is good!
E agora deixa eu ir que a praia me espera! Love you all!
Saturday, May 30, 2015
Gata Borralheira
Era uma vez, num reino muito, muito distante...
... Uma doce e meiga menina (cof, cof) aprisionada num castelo de panquecas, onde a madrasta cruel estava sempre gritando com ela em "koreaninglês", uma língua terrível e assustadora, hahaha. Tá tipo assim mesmo, só estou esperando os passarinhos e os ratos virem me ajudar, que já tá fo#@ :P
Basicamente, minha rotina no IHOP é igual a da Cinderela mesmo (já até perdi um sapato no ônibus, então acho que #taserto): Tenho uma madrasta-manager bizarra, que passa o dia gritando e dando esporros em todo mundo (num inglês-koreano horroroso e gaguejante mas com um indiscutível tom de humilhação) no melhor estilo Hell's Kitchen boladão de ódio... Se fizer, leva esporro porque fez, se não fizer, leva esporro porque não fez. Se fizer errado leva esporro duplo, se fizer certo leva esporro pra fazer mais rápido. Se ajudar alguém com as tarefas, leva esporro pra aprender a não se meter, se não ajudar, leva esporro pra não ser egoísta. True story, bro, não tô exagerando em nada! Já tomei vários foras por tentar ser pro-ativa e fazer alguma coisa idioticamente simples (tipo guardar os potinhos de peanut butter no lugar) enquanto não tem nada pra fazer "das minhas tarefas", porque "essa não é a minha tarefa"! Meeooo Deoozziiiss, e agoraaahh? O mundo vai explodir porque eu guardei a caceta da manteiga de amendoim sem ser minha tarefa! Malz ae por ter tentado ajudar, tia...
Aí você pensa "&@$#*&#**$ também não vou fazer mais nada então nessa birosca, a não ser minhas 3 estúpidas tarefas: Sentar os clientes que chegam, trazer as bebidas deles e limpar as mesas quando eles saem". Resolveu? Não: Esporro. Porque? Sei lá, varia de acordo com o feeling do momento... Ou porque levei todas as bebidas de uma vez (e ela acha que vou derramar) ou porque levei metade de cada vez (e ela acha que vou demorar), ou porque eu estou andando da direita pra esquerda e deveria ser da esquerda pra... Ah, faça-me o favor, né?
O fato do trabalho ser bem basal (na vibe da Cinderela mesmo, hehe) não me incomoda em nada, de verdade, é só a "madastra" que tá pegando.... Ok, pra ser sincera, no início exigiu uma certa desconstrução das minhas auto-expectativas encarar um emprego desses, e até confesso que foi mais fácil aceitar na teoria um sub-emprego imaginário quando estávamos ainda planejando essa loucura de mudar de país ("e se for pra fritar batatas no McDonalds, ok"), do que na prática, na hora de realizar que minha profissão agora é limpar a sujeira dos outros, tendo meus lindos diplomas de mestrado e do escambau arquivados numa pasta em casa. Mas essa parte foi só uma facadinha no ego que cicatrizou rapidinho. Mas aturar todo dia várias horas de trabalho braçal generosamente salpicadas de esporros constanstes, pode ser bem challenging... Entãou vou dedicar este post ao meu Manual de Cinderela: Um guia mental para aturar a madastra má e as tarefas degradantes e ainda ter ânimo para acordar cantarolando todos os dias.
#1 Supéralo: Adoro os memes "supéralo" que volta e meia pipocam no meu Facebook, e deles tiro a inspiração para baixar a bola. O ponto fundamental é: você não é o fodão, supere isso. E eu não sou a fodona. Engole esses diplomas e sua moral inflada e cai pra vida que é isso aí.
#2 Sinta orgulho: Eu já a muito tempo reparo um fato que sempre me pareceu curioso e admirável: Que o orgulho que uma pessoa sente de seus feitos tem mais a ver com a pessoa do que com os feitos. Já vi muitos pedreiros mais orgulhosos de suas obras, de como a parede ficou lisinha e o piso nivelado, do que engenheiros dos seus projetos. Já vi mais faxineiras orgulhosas de um banheiro cheiroso do que executivas de suas reuniões em hotéis 5 estrelas. E assim eu também, que sempre senti muito orgulho da minha carreira acadêmica, agora faço o exercício silencioso de me orgulhar dos talheres simetricamente dispostos, da mancha de ketchup escondida atrás do saleiro que foi encontrada e limpa, de conseguir lembrar 8 pedidos de bebidas de uma vez só... Enfim, nenhuma tarefa é pequena demais que não mereça seu melhor desempenho, e consequentemente seu orgulho ao completá-la. Tudo bem que esse exercício fica BEM mais difícil quando você tem uma bruxa carcomida te atazanando as idéias e tentando te convencer de que tudo que você faz está errado por algum motivo bizonho ou por outro... Mas isso só faz com que seja mais importante ainda encontrar e cultivar esse orgulho.
#3 Encontre refúgio: Eu, particularmente, coloco uma boa música pra tocar na minha cachola ou evoco alguma lembrança boa ou mentalizo alguma pessoa que eu amo (vocês, meus lindos que estão me lendo aqui, podem ter certeza que em mais de um momento já sumonei cada um de vocês pra animar meus dias de gata borralheira).
#4 Recolha gotinhas de alegria: "Gotinhas de alegria" estão em vários lugares, você só precisa saber encontrar e absorver. Está um dia bonito lá fora? Olhe pela janela enquanto limpa a mesa e deixe a beleza entrar em você. Tem uma criança fofa na mesa 45? Dê um sorrisinho pra ela, ou um tchauzinho: Com certeza ela vai te "responder" e você poderá desfrutar de 3 segundos de fofura extrema. Faça uma piada ou uma gracinha com algum colega de trabalho ou algum cliente: Mesmo que a piada saia sem-graça porque você está meio amargurada, a resposta é (quase) sempre positiva, e aí você pode colher outra gotinha de alegria que você mesmo plantou.
#5 Tenha perspectiva: Aquela velha frase de "podia ser bem pior" é horrível de se ouvir, mas ajuda muito quando você está passando por desafios constantes. É um jeito meio distorcido de ter gratidão, de count your blessings, mas funciona bem quando você não está num momento particularmente grato. Eu gosto de olhar outras pessoas, muitas delas com olheiras profundas, com uma cara de acabadas, e pensar "Eu não sei os desafios pelos quais ela está passando, mas certamente eu não gostaria de estar assim tão cansada" e de repente meus problemas parecem menores, mais suportáveis. E eu lembro que minha vida na verdade é super feliz, e que eu estou exatamente onde queria estar, com quem eu queria estar e fazendo exatamente o que eu me propus a fazer.
#6 Descentralize: Não é tão fácil, mas é uma continuação do exercício anterior. Olhar as pessoas em volta fora da sua própria perspectiva (não como o que essas pessoas representam para você -chefe, cliente, colega- mas sim como o que elas são para elas mesmas) é o primeiro passo, e dele você tanto vê que os seus problemas não são tão problemáticos assim (#5) quanto que o que as pessoas fazem ou como elas agem é um reflexo delas mesmas, e não de você. Isso te leva a uma conclusão maravilhosamente simples: Eu não estou tomando esporro tanto assim pelo que eu faço, mas em grande parte pelo que a pessoa que me dá esporro é/faz/pensa. Assim, eu fico menos deprimida comigo mesma e posso voltar a ter orgulho do meu TOC por talheres simétricos! O único cuidado aqui é não reagir a essa mentalidade com "Sua vaca mal amada gritalhona!" e sim tentando extender a ela a mesma compaixão de "Não sei quais são os desafios que ela enfrenta, mas também não devem ser fáceis, pra ela ficar com esse belo humor de porco-espinho acuado".
#7 Pense macro, não micro: É importante entender, e muitas vezes se re-re-re-RE-lembrar, seus próprios motivos. Porquê estou aqui, passando por tudo isso? Ou melhor: Para quê? Eu tenho meus objetivos pessoais, e eu entendo que essa é a estrada que vai me levar a eles. Se eu ficar focada de mais nas migalhinhas de problemas que tenho agora, perco de vista a big picture. Mas se eu olhar bem pra frente, pro horizonte dos planos, percebo que tudo é passageiro e um dia eu não estarei mais aqui, e sim lá. E aí vou fazer a dancinha do caranguejo "ne-ne-ne-ne!" hahahaha.
Bom, eu podia continuar, mas vou parar em 7 pra dar sorte (e poupar vocês, hehe)...
Mas talvez esse meu conto de fadas ainda tenha um final clichê, porque meu príncipe-encantado-no-cavalo-branco está vindo me resgatar: O Tiago, com toda a moral que ele já conquistou no emprego dele (que pode ser aqui descrito como a terra-encantada-dos-sonhos-felizes, já que a chefe dele é um amorzinho-bilu-bilu comparada com a minha bosszilla, e até leva guloseimas pra ele no meio do expediente) está vendo de me descolar um emprego lá também. Assim, se isso de fato se concretizar, eu escaparia das masmorras do IHOP, manteria o outro emprego na Sears (que começa semana que vem e é só part time também) e pegaria esse aí de part time também. Mas enquanto nada disso acontece, eu vou levando a vida assim de tom em tom, e sou grata pela oportunidade de estar praticando meus skills de Cinderela-zen.
Mandem-me suas vibrações positivas também. Amo vocês. Beijos-encantados.
... Uma doce e meiga menina (cof, cof) aprisionada num castelo de panquecas, onde a madrasta cruel estava sempre gritando com ela em "koreaninglês", uma língua terrível e assustadora, hahaha. Tá tipo assim mesmo, só estou esperando os passarinhos e os ratos virem me ajudar, que já tá fo#@ :P
Basicamente, minha rotina no IHOP é igual a da Cinderela mesmo (já até perdi um sapato no ônibus, então acho que #taserto): Tenho uma madrasta-manager bizarra, que passa o dia gritando e dando esporros em todo mundo (num inglês-koreano horroroso e gaguejante mas com um indiscutível tom de humilhação) no melhor estilo Hell's Kitchen boladão de ódio... Se fizer, leva esporro porque fez, se não fizer, leva esporro porque não fez. Se fizer errado leva esporro duplo, se fizer certo leva esporro pra fazer mais rápido. Se ajudar alguém com as tarefas, leva esporro pra aprender a não se meter, se não ajudar, leva esporro pra não ser egoísta. True story, bro, não tô exagerando em nada! Já tomei vários foras por tentar ser pro-ativa e fazer alguma coisa idioticamente simples (tipo guardar os potinhos de peanut butter no lugar) enquanto não tem nada pra fazer "das minhas tarefas", porque "essa não é a minha tarefa"! Meeooo Deoozziiiss, e agoraaahh? O mundo vai explodir porque eu guardei a caceta da manteiga de amendoim sem ser minha tarefa! Malz ae por ter tentado ajudar, tia...
Aí você pensa "&@$#*&#**$ também não vou fazer mais nada então nessa birosca, a não ser minhas 3 estúpidas tarefas: Sentar os clientes que chegam, trazer as bebidas deles e limpar as mesas quando eles saem". Resolveu? Não: Esporro. Porque? Sei lá, varia de acordo com o feeling do momento... Ou porque levei todas as bebidas de uma vez (e ela acha que vou derramar) ou porque levei metade de cada vez (e ela acha que vou demorar), ou porque eu estou andando da direita pra esquerda e deveria ser da esquerda pra... Ah, faça-me o favor, né?
O fato do trabalho ser bem basal (na vibe da Cinderela mesmo, hehe) não me incomoda em nada, de verdade, é só a "madastra" que tá pegando.... Ok, pra ser sincera, no início exigiu uma certa desconstrução das minhas auto-expectativas encarar um emprego desses, e até confesso que foi mais fácil aceitar na teoria um sub-emprego imaginário quando estávamos ainda planejando essa loucura de mudar de país ("e se for pra fritar batatas no McDonalds, ok"), do que na prática, na hora de realizar que minha profissão agora é limpar a sujeira dos outros, tendo meus lindos diplomas de mestrado e do escambau arquivados numa pasta em casa. Mas essa parte foi só uma facadinha no ego que cicatrizou rapidinho. Mas aturar todo dia várias horas de trabalho braçal generosamente salpicadas de esporros constanstes, pode ser bem challenging... Entãou vou dedicar este post ao meu Manual de Cinderela: Um guia mental para aturar a madastra má e as tarefas degradantes e ainda ter ânimo para acordar cantarolando todos os dias.
#1 Supéralo: Adoro os memes "supéralo" que volta e meia pipocam no meu Facebook, e deles tiro a inspiração para baixar a bola. O ponto fundamental é: você não é o fodão, supere isso. E eu não sou a fodona. Engole esses diplomas e sua moral inflada e cai pra vida que é isso aí.
#2 Sinta orgulho: Eu já a muito tempo reparo um fato que sempre me pareceu curioso e admirável: Que o orgulho que uma pessoa sente de seus feitos tem mais a ver com a pessoa do que com os feitos. Já vi muitos pedreiros mais orgulhosos de suas obras, de como a parede ficou lisinha e o piso nivelado, do que engenheiros dos seus projetos. Já vi mais faxineiras orgulhosas de um banheiro cheiroso do que executivas de suas reuniões em hotéis 5 estrelas. E assim eu também, que sempre senti muito orgulho da minha carreira acadêmica, agora faço o exercício silencioso de me orgulhar dos talheres simetricamente dispostos, da mancha de ketchup escondida atrás do saleiro que foi encontrada e limpa, de conseguir lembrar 8 pedidos de bebidas de uma vez só... Enfim, nenhuma tarefa é pequena demais que não mereça seu melhor desempenho, e consequentemente seu orgulho ao completá-la. Tudo bem que esse exercício fica BEM mais difícil quando você tem uma bruxa carcomida te atazanando as idéias e tentando te convencer de que tudo que você faz está errado por algum motivo bizonho ou por outro... Mas isso só faz com que seja mais importante ainda encontrar e cultivar esse orgulho.
#3 Encontre refúgio: Eu, particularmente, coloco uma boa música pra tocar na minha cachola ou evoco alguma lembrança boa ou mentalizo alguma pessoa que eu amo (vocês, meus lindos que estão me lendo aqui, podem ter certeza que em mais de um momento já sumonei cada um de vocês pra animar meus dias de gata borralheira).
#4 Recolha gotinhas de alegria: "Gotinhas de alegria" estão em vários lugares, você só precisa saber encontrar e absorver. Está um dia bonito lá fora? Olhe pela janela enquanto limpa a mesa e deixe a beleza entrar em você. Tem uma criança fofa na mesa 45? Dê um sorrisinho pra ela, ou um tchauzinho: Com certeza ela vai te "responder" e você poderá desfrutar de 3 segundos de fofura extrema. Faça uma piada ou uma gracinha com algum colega de trabalho ou algum cliente: Mesmo que a piada saia sem-graça porque você está meio amargurada, a resposta é (quase) sempre positiva, e aí você pode colher outra gotinha de alegria que você mesmo plantou.
#5 Tenha perspectiva: Aquela velha frase de "podia ser bem pior" é horrível de se ouvir, mas ajuda muito quando você está passando por desafios constantes. É um jeito meio distorcido de ter gratidão, de count your blessings, mas funciona bem quando você não está num momento particularmente grato. Eu gosto de olhar outras pessoas, muitas delas com olheiras profundas, com uma cara de acabadas, e pensar "Eu não sei os desafios pelos quais ela está passando, mas certamente eu não gostaria de estar assim tão cansada" e de repente meus problemas parecem menores, mais suportáveis. E eu lembro que minha vida na verdade é super feliz, e que eu estou exatamente onde queria estar, com quem eu queria estar e fazendo exatamente o que eu me propus a fazer.
#6 Descentralize: Não é tão fácil, mas é uma continuação do exercício anterior. Olhar as pessoas em volta fora da sua própria perspectiva (não como o que essas pessoas representam para você -chefe, cliente, colega- mas sim como o que elas são para elas mesmas) é o primeiro passo, e dele você tanto vê que os seus problemas não são tão problemáticos assim (#5) quanto que o que as pessoas fazem ou como elas agem é um reflexo delas mesmas, e não de você. Isso te leva a uma conclusão maravilhosamente simples: Eu não estou tomando esporro tanto assim pelo que eu faço, mas em grande parte pelo que a pessoa que me dá esporro é/faz/pensa. Assim, eu fico menos deprimida comigo mesma e posso voltar a ter orgulho do meu TOC por talheres simétricos! O único cuidado aqui é não reagir a essa mentalidade com "Sua vaca mal amada gritalhona!" e sim tentando extender a ela a mesma compaixão de "Não sei quais são os desafios que ela enfrenta, mas também não devem ser fáceis, pra ela ficar com esse belo humor de porco-espinho acuado".
#7 Pense macro, não micro: É importante entender, e muitas vezes se re-re-re-RE-lembrar, seus próprios motivos. Porquê estou aqui, passando por tudo isso? Ou melhor: Para quê? Eu tenho meus objetivos pessoais, e eu entendo que essa é a estrada que vai me levar a eles. Se eu ficar focada de mais nas migalhinhas de problemas que tenho agora, perco de vista a big picture. Mas se eu olhar bem pra frente, pro horizonte dos planos, percebo que tudo é passageiro e um dia eu não estarei mais aqui, e sim lá. E aí vou fazer a dancinha do caranguejo "ne-ne-ne-ne!" hahahaha.
Bom, eu podia continuar, mas vou parar em 7 pra dar sorte (e poupar vocês, hehe)...
Mas talvez esse meu conto de fadas ainda tenha um final clichê, porque meu príncipe-encantado-no-cavalo-branco está vindo me resgatar: O Tiago, com toda a moral que ele já conquistou no emprego dele (que pode ser aqui descrito como a terra-encantada-dos-sonhos-felizes, já que a chefe dele é um amorzinho-bilu-bilu comparada com a minha bosszilla, e até leva guloseimas pra ele no meio do expediente) está vendo de me descolar um emprego lá também. Assim, se isso de fato se concretizar, eu escaparia das masmorras do IHOP, manteria o outro emprego na Sears (que começa semana que vem e é só part time também) e pegaria esse aí de part time também. Mas enquanto nada disso acontece, eu vou levando a vida assim de tom em tom, e sou grata pela oportunidade de estar praticando meus skills de Cinderela-zen.
Mandem-me suas vibrações positivas também. Amo vocês. Beijos-encantados.
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